Dicionário
Onomástico medieval
O
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de
Lisboa.
Belcouce
(Coimbra)
Na
toponímia antiga da cidade, existiam com esta designação um arco ou porta, uma
rua e uma torre. De facto, ao cimo da Couraça da Estrela, ergueu-se até 1778 a
porta ou arco de Belcouce, a porta principal da Aeminium romana, um dos raros
monumentos dessa época que se manteve até ao século XVIII. Apesar da sua
demolição, a planta da cidade de 1845 ainda designa aquele local como o “sítio
da porta de Belcouce”. Para proteger a muralha, erguia-se, junto ao arco, uma
torre com o mesmo nome, mandada edificar por D. Sancho I na primeira década do
século XIII; a rua de Belcouce, de que existem poucas referências, deveria ser
o prolongamento do largo da Estrela para o lado da Couraça, junto à muralha e à
torre.
No
Livro Preto, existe um documento de 1123 onde se fala de uma porta “quae
arabice dicitur Alcous”, nome que posteriormente aparece sob as formas Valcouce
(século XII), Avalcozi (1220), Avalcouze (1230), Avalcouce (1230 e 1317), Val
Cousse (1399), e Belcoyce ou Belcouce (do século XV em diante).
A
pedra da porta romana foi vendida 24 de Novembro 1845, tendo a Câmara notificado
Miguel Carlos satisfazer a importância de 30 mil reis.
No
foral de Castelo Mendo menciona-se
Magidi, que corresponde a Mido (povoação que pertenceu sucessivamente aos
concelhos de Castelo Mendo, até à sua extinção em 1855, Sabugal, e Almeida, a
partir de 1870) e a Mangide, em Pinhel.
Santa Maria de Burio - Um documento de 883
refere-se ao mosteiro de Santa Maria de Burio étimo topónimo seja o latim
‘abegoaria’,
Cambres com o termo botânico
latino CRAMBE ‘couve’, por ser terra muito fértil que, além de vinho, cereais e
frutos, produz muita hortaliça, nomeadamente couves.
Midão e Midões, certamente relacionados
com o nome próprio Midon. Tratando-se de um curso de água,
Pinhal do Peche
(Oliveira do Hospital), / pincho dos falares da Beira. - um alótropo moçárabe de
pecho, e Pechins – significa fecho , ou
encerrado.” Pinhal fechado.”
Ribeles (Oliveira do
Hospital). Ribadellas
XVI - vale sobranceiro ao rio que atravessa a veiga de Lalim.
Vale de Rocim (Oliveira
do Hospital). Vale Rauzendus
Vale de Taipa (Tábua), Quinta da Taipa
(Oliveira do Hospital),— thápia ‘taipa; parede construída de terra e pedra
amassadas’ —
cacheiro ‘a referida saliência’ e
‘espécie de bengala, cujo castão forma ângulo recto com a haste’,
Pinhal de Farripes
(farrapos) (Oliveira do Hospital). Farripas,
falripas, farripos e farrepas são sinónimos de ‘cabelos ralos e curtos;
grenha’, de origem obscura. Farripa documenta-se como alcunha já em 1278.
Carapinhal - árvore chamada carpa, espécie de pereira brava,
por anaptixe, resultaria. Carapinho
(nome de um casal do carapinhal.), a par de Carapinha e seus
Derivados.
Carapinhal e Carapinheira em terras
alentejanas são sinónimos de Esteval,
Esteveira, Giestal - 1059 Pedro A. FERREIRA, Op. cit., vol. III, p. 33, 131 e
234-235. Em passagens anteriores (Op. cit., vol. II, p. 90 e 269),
Goulinho (Oliveira do Hospital).
Relacioná-los
com gola, do latim ‘- passagem estreita, corredor’ que dá passagem a pequenos
barcos’
Tal como Carxana
(Carregal do Sal), Carrachana
pode ser derivado de carcha 'cada uma das partes de uma batata cortada ao
meio', vocábulo usado nas Beiras.
Vale da Borracha
(Oliveira do Hospital). moçárabe. Segundo Corominas, o adjectivo borracho. Bêbado’,
-‘rojizo’, por el color del que ha bebido”
terá passado do castelhano ao português
São Pedro de Moel, - configuração
geográfica do lugar- as falésias nele
existente. Em documento do tempo de D. Afonso Henriques define as linhas que
limitavam o Couto da doação alcobacense . consta, de facto, o nome Moer, não se
sabe se ele é referido à dita ribeira ou à própria povoação de São Pedro de Moel - Mon ‘monte’ e calva ‘lugar com pouca
vegetação’
A primeira abonação de moleiro, do
latim MOLINARIU 'moleiro', também derivado de Mola 'mó', regista-se em 1200.
Columbeira, Vale da Columbeira
(Bombarral).
Columbeira é povoação da freguesia
de Roliça,
Pombeira, é derivado do latim
COLUMBA ‘pomba’, que tem outros representantes na nossa
toponímia como, por exemplo, Comba e Alcombral.
1409 Da mesma família etimológica
são os topónimos moçárabes registados por Menéndez Pidal e Galmés de Fuentes
Columber, Columbar e os antigos Qolomba e Santa Qolomba, 1410 nome também
presente num documento nacional do século X, que alude a uma vila Colomba.1411
Pedro de Azevedo recolheu no Glosario de Simonet um “númeroavultado de palavras
românicas influenciadas pela pronúncia árabe, que se conservam entre nós como
nomes de lugares” e que são, por vezes, “apelidos de proprietáriosque se
fixaram nas terras que lhes pertenciam por qualquer título.”. Entre esses antropónimos
figura Colombária, a que o Autor atribui a etimologia de Columbeira.
D. Afonso Henriques a fundar em 1142 a vila e
o castelo do Germanelo, implantando-o sobre um de dois montes de configuração
semelhante que, por isso, são referidos, num documento régio de 1160, como germanelos:
“O germanellus, por ter a mesma forma cónica e aproximadamente a mesma altura
de outro morro, (...) pode dizer-se [seu] irmão germano, gemanelo ou irmãozinho.”.1067
Couto dehomiziados com amplo foral, a antiga vila do Germanelo foi, entre 1142
e 1146, sede de um município que, com o prosseguimento da Reconquista, perdeu
importância e se integrou no de Coimbra.
No
foral do Germanelo descrevem-se pormenorizadamente os seus limites e pode, de
facto, ler-se que o termo “vai depois para o sul indefinidamente e compreenderá
tudo quanto os habitantes do Germanelo puderem e quiserem habitar e ocupar”.
De : MARIA
LUÍSA SEABRA MARQUES DE AZEVEDO