sábado, 29 de outubro de 2022

Adão Gottlieb Pollet - Ourives da Casa Real

                      Custódia da Bemposta, Adão Gottlieb Pollet, 1777


                                                     Pollet



 Pollet é o nome de uma famosa dinastia de joalheiros, engastadores de pedras preciosas que trabalharam para a Casa Real.

       Na realidade, dois joalheiros trabalharam sob esse nome, pai e filho, Adão Gottlieb Pollet que aparece com os seus trabalhos de ourives  em  1752 e faleceu em 1786)  David Ambrósio Pollet (1744-1824),  

            Pollet pai morre em Fevereiro de 1785, depois de ter redigido testamento no dia 16 desse mês. Ambrósio Pollet seguiu as pisadas de seu pai na profissão de ourives do ouro e «engastador de pedraria», seria natural ter sido ele a tomar os encargos do progenitor, já que o legítimo herdeiro e sócio do pai representa a firma Pollet. O apuramento das contas da casa, à morte de Adão, tinha importância, mesmo do ponto de vista das partilhas entre irmãos. Coube a Ambrósio Pollet herdar a oficina do pai, mas também os compromissos financeiros, e como o pai era devedor ao santuário do Senhor Santo Cristo por via da casa Ribeira Grande teve ele de saldar as dívidas e terminar a obra que seu pai  deixara  por finalizar .

        Na documentação da casa Pollet, publicada por Isabel Godinho (Mendonça, 2011), surge, entre a vasta clientela nobre na qual se incluía o  fabrico de  «joias esponsalícias para a casa real.

  A  entrega a Custódia da Bemposta, a  4 de Setembro de 1785  no  nome de Luís António Arnaud «na casa do conde da Ribeira» (procurador e administrador da casa condal) que  salda as  contas no ano 1786.

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

os Alcoforados



O Brasão dos Alcoforados

 

 

A família dos Alcoforados, estiveram ligados à casa de Bragança.

      Afonso Pires, Maria Alcoforada, Manoel Alcoforado e António Alcoforado, viviam numa pequena fazenda com um casal de cativos, nas cercanias de Vila Viçosa, oferecida por D. Fernando II de Bragança pelos seus serviços prestados., como era habitual os criados mais reconhecidos terem uns quintalejos e uns tantos criados negros a trabalharem dentro das suas vedações, enquanto os senhores trabalhavam no paço ducal.

         António Alcoforado de quem não se sabe nada, caso não tivesse nascido dentro das muralhas do castelo velho de Vila Viçosa, foi ali que desenvolveu o seu corpo e as suas capacidades artísticas. Os seus pais segundo contam as fontes tradicionais sem que possam ser postas em causa a sua credibilidade aludem Afonso Pires capitão da guarda do Paço Velho, e Maria Alcoforada, dama de companhia de D. Isabel de Bragança, antes de seu marido D. Fernando II ser degolado.

       A separação entre a velha duquesa viúva e fidalga Maria Alcoforada deu-se com a mudança da primeira do Paço Velho para o o Paço de Estoi em 1486 para viver com sua irmã Rainha velha, D. Leonor de Viseu, viúva do falecido rei D. João II, mas continuando a ser detentora do Paço dos Braganças de Lisboa.

Segundo conta a tradição, apos da morte do jovem fidalgo António Alcoforado, sua mãe Maria Alcoforada, «rezava de joelhos em misterioso remorso, ferverosamente diante de um relicário gótico, repetindo as mesmas orações que fazia com sua senhora D. Isabel, após de ser degolado seu marido D. Fernando. 

 

O Alcoforado procede dos Aguiares. O primeiro com este apelido é Pedro Martins Alcoforado, filho de Martim Pires de Aguiar e de sua mulher, D. Elvira Gonçalves de Sousa, filha natural de D. Gonçalo Mendes de Sousa e de D. Goldares de Refeiteira.

 Alcoforado é vista por alguns autores como vinda da alcunha Alcantorado – pessoa sempre cheirosa – que hoje podemos considerar   n apelido, apesar de haver  autores que divergem com a anterior opinião.

Pedro Martins  Alcoforado, foi padroeiro do mosteiro de Bustelo e casou-se com D. Teresa Soares, deles proveio  os Alcoforados no tempo do rei D. Afonso II.

O manuscrito de genealogias de Luciano Cordeiro, copilado por Jacinto Lima encontra-se na biblioteca de lisboa descrevendo o escudo da família dos Alcoforados.

 Timbre: uma águia estendida de azul com a asa direita xadrezada de prata. Uma das famílias portuguesa usa as seguintes armas: Xadrezado de prata e de azul. ...

 

 

 

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Livro das horas canónicas


 

O Livro das horas canónicas é chamado de Horologion.


 Os relógios mecânicos apareceram nos finais do seculo XV, ficando no esquecimento os relógios de sol.

A partir do seculo XVI surgem os relógios movidos por pesos de pedra  

A partir do seculo XVII relógios pesos com armação de ferro. – sousa Viterbo assinala a profissão de Relojoeiros em Portugal  (1471-1640)

Os relógios eram colocados nos castelos, como aconteceu ao de  Marialva ,Longroiva que batiam as horas com o  sino da torre do relógio.

 

Tinha ouvido dizer que nas comunidades religiosas o monge vivia intensamente o calendário litúrgico, seguindo o temporal e o santoral de forma rígida: oração, repouso, jejum e a hora da refeição, o trabalho e a leitura, começando nas matinas e terminando nas completas.

     Os monges na época da reconquista liam todos os dias 100 salmos, 12 lições, cantavam 24 hinos e 9 cânticos, rezavam 6 credos e 11 responsos. – Escrito por S. Jerónimo – carta Eustáquio.

 Os primeiros livros monásticos conhecidos por livros de horas foram criados no século XIII. Por volta do século XIV os livros tornaram-se mais pequenos, e com os litúrgicos menos complexos. Os meados do século XV, esses manuscritos passaram a ser iluminados de gravuras ilustradas. Cada seção de orações foi acompanhada de uma ilustração para ajudar o leitor meditar sobre o assunto. Só os mosteiros, conventos, e nobres mais ricos tinham o privilégio de comprar o livro de horas.

      O livro típico de horas frequentemente, começava com um ciclo de orações dedicadas à Virgem Maria.

      O livro de horas relativamente em grande formato era lido num púlpito ou sobre uma mesa em voz alta em cada uma dessas horas. Tinha no seu conteúdo um calendário litúrgico; a lista dos dias de festa em ordem cronológica, bem como um método de calcular a data da Páscoa; Penitencial dos sete Salmos; variadas orações dedicadas a santos favoritos ou pedidos pessoais.

  Salmos hinos e textos usados para leitura litúrgica- laudes, Matinas,  Prima,  Terça,  Sexta,  Nona,  vésperas  e completas

Para além das preces diurnas, havia a preces nocturnas de vigília.

Inicialmente, livros de horas foram produzidos por escribas em mosteiros para uso por seus companheiros monges. Monges dividiram o seu dia em oito segmentos, ou "horas", de oração:  Prime, vulgo   Laudes, Terça, Sexta, Noa,  Vésperas e Completas,

     A divisão do dia em sete partes tem suas origens no Livro dos Salmos da Bíblia, que diz: " Sete vezes no dia te louvo "e também ler" Levantei-me à meia-noite para dar graças. " Daí você pode ver que há um grupo de sete horas canónicas do dia Ofícios, e também a noite Ofícios, que por sua vez são divididos em três relógios ou vigílias, chamado Matins. A cada semana, os monges estavam rezando o Saltério de férias (ou seja, os 150 Salmos). Na sua Regra, São Bento incentiva seus monges durante as viagens não perder momentos de oração.

Prima ou Laudes: : A hora em que o sol nasce, cerca de 5 ou 6 horas  da manhã 

Terce: Third hora após o nascer do sol, 09:00

Sexto: meio-dia, 12:00 

Nona: em torno de 15:00 horas da Misericórdia.

Vésperas: depois do sol, geralmente em torno de 18:00 - logo que caem as trevas da noite. Celebradas à tarde, ao declinar do dia, conclui o dia e dá início à noite,   

Completas: deve-se rezar antes do repouso da noite (21 h). Nesse momento, faz-se um ato penitencial pelas faltas cometidas naquele dia. 

     O soar dos sinos era o sinal para a concentração dos monges no claustro principal, para daí passavam ao refeitório, á igreja, á casa do coro ou do capítulo.

     O dia começava á meia-noite juntavam-se todos os monges no claustro, seguindo em procissão com destino á igreja onde rezavam no coro o oficio que lhes era destinado. Hinos, salmos e leitura, e só quando findavam, regressavam às suas celas para repouso.

Por volta das cinco, hora prima, voltavam á igreja para rezarem orações e salmos.

Voltavam de novo às nove horas para a missa do capítulo onde era imprescindível a leitura da regra.

 Liturgia das Horas: nome escolhido durante a reforma litúrgica pós-Concílio Vaticano II, e actualmente em uso. Exprime ao mesmo tempo a característica de ser uma acção litúrgica da Igreja, e que portanto torna presentes os mistérios da salvação, e o seu objectivo peculiar de santificar as diversas horas do dia.

     O livro de horas ou livro de orações, contendo orações apropriadas para determinadas horas do dia, dias da semana, meses e estações do ano. Os livros de horas foram produzidos, assim como a maioria dos outros manuscritos iluminados monásticos, por monges em scriptorium.

O livro de horas começaram por serem escritos em pergaminho, (pele de carneiro), ou pergaminho (pele de bezerro), com um especial tratamento, pele bem seca para receber tinta e pintura. A superfície de escrita alinhada ordenadamente e, de maneira uniforme, tingidos de diferentes cores através da utilização de vários minerais. Tinta aplicada com uma caneta de pena - uma pena, cortados com uma ponta afiada, mergulhados em frascos de tinta.

As ilustrações eram feitas de cores foram misturadas com goma-arábica como um agente de ligação. O mineral mais caro usado na pintura era Lapis Lazuli, uma pedra preciosa azul com manchas de ouro, que na Idade Média só existia no actual Afeganistão.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Pintor Francisco Vieira Matos

 

    


Francisco Vieira Matos (04-
10-1699 -- 13-08-1783)   conhecido por Vieira Lusitano,  terceiro filho de Francisco Vieira de Matos (fabricante de meias) e de Antónia Maria. Estava destinado pela sua família à carreira eclesiástica, mas desde criança revelou tal vocação para o desenho e foi para Lisboa estudar humanidades e pintura. O Marquês de Abrantes, D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses, embaixador em Roma, depois de que ver alguns dos seus trabalhos, levou-o consigo a 16 de Janeiro de 1712 para  estudar belas artes como   discípulo de Benedetto Luti  em Roma. O diário de bordo no navio em que fazia a  viagem turbulenta,  refere um violento temporal à  passagem ao largo de Cartagena (Espanha)  mas todos  chegaram salvos.  

       Voltou a Portugal 7 anos depois (1719) foi logo encarregado por D. João V para ser pintor seu pintor pessoal, e mais tarde do monarca D. José I.   Grande parte das suas pinturas desapareceram com o terramoto de 1755.

 

 

     D. Inês Helena de Lima e Melo e Francisco Vieira Matos estavam apaixonados um pelo outro, e ambos sofreram toda a vida por ser a sua primeira e única paixão das suas vidas.   

         A família de D. Inês opunha-se ao casamento considerar o pretendente ser de condição inferior. Mas o casamento realiza-se sem ninguém saber: Os dois namorados procuraram de todas as formas obter apoios… e por fim as licenças necessárias do patriarcado as para o consorcio se realizar por procuração, tendo sempre a resistência do pai, querendo levar a filha para o convento de Santana, obrigando-a a professar. D. Inês Helena protestou como sendo já casada “secretamente com Francisco Vieira Matos.”

      O pai de D. Inês Helena de Lima e Melo procurou uma audiência  ao rei e ao cardeal anuir o casamento.   Francisco Vieira Matos  tentou  por todos os modos para tirar a esposa da clausura.     “socorreu ao rei mas não foi atendido o seu pedido.” Revoltado, decidiu voltar a Roma a fim de pedir ao papa os breves precisos para a realização do seu desejo.

 

Mas por lá cinco anos em Roma, trabalhando, por um lado para obter a licença do Papa da posse de sua mulher, e por outro estudando para aperfeiçoar a pintura. Farto de esperar e não conseguir do pontífice aquilo que tanto ambicionava, deliberou o projecto de passar por cima de todas as leis civis e eclesiásticas. Arranjou meio de lhe chegar às mãos de sua esposa enclausurada uma veste de homem, que num dia, ao anoitecer, D. Inês foge da sua cela, passando pela abadessa, que não a reconheceu, saindo do mosteiro para se encontrar com marido num lugar desconhecido. Passados de amarguras e sacrifício puderam voltar a unir-se.

     Segundo conta a história: Não tardou que a fuga de Inês fosse conhecida no convento, e os parentes, ao saberem do facto, logo juraram que Vieira Lusitano não ficaria impune.

 

Um dos irmãos de Inês constituiu-se em vingador da honra da família supostamente ultrajada. Esperou o pintor próximo, da rua das Pretas, e desfechou sobre ele um tiro de pistola, ferindo-o gravemente.

       Quando Vieira Lusitano achou-se restabelecido, foi pedir justiça a D. João V contra o seu traiçoeiro agressor, mas nada lhe valeu, o monarca voltou a fazer ouvidos moucos e o criminoso fugiu do reino livremente, apoiado por influências poderosas do reino. Passados alguns anos, já reinava D. José I, o criminoso exilado, caído na miséria, viu-se na dura necessidade de ir mendigar o pão à casa da irmã casada com aquele que tentou assassinar. No entretanto, Matos Vieira, temendo uma nova tentativa de assassinato, retirou-se por algum tempo para o Convento dos Paulistas, onde em 1730 e 1731 fez trabalhos de pintura na sua igreja, e Viaja em 1733 para Roma, passando Sevilha onde passou algum tempo com a sua companheira. Quando D. José é aclamado rei a I 8 de Setembro de 1750 , manda-o chamar  para voltar ao reino português e,  nomeia pintor da casa real com o ordenado mensal de 60$000 reis.

        Quando se encontrava em 1775 no convento Mafra, enviuvou. Desgostoso pela perda da sua estremecida companheira, abandonou a pintura, e foi viver para o Convento Beato António, Congregação de S. João Evangelista, que resistiu ao terramoto de 1755, passando ali os últimos anos da sua existência.

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 24 de setembro de 2022

Os criados da corte

 Os criados da corte




       Os criados da corte sofreram grandes privações através do tempo que serviram a casa real, com poucos a usufruírem de glória. A maioria levava uma vida amarga cheia de apertos a fazerem papel de idiotas, a não ser que caíssem nas boas graças de um membro da família real.

     A criadagem plebe não era feliz. Muitas vezes eram maltratados pela prepotência de quem estavam dispostos, que por inveja lhes assombravam a carreira acusando-os de algo incorrecto, falsamente.

Escravos executavam as tarefas da lavagem do chão e das roupas, das cloacas e Movimentação do estrume para as terras.    




 Marianne Baillie (1788-1831) foi uma viajante, poetisa e autora inglesa do século XIX , veio de Devonshire (Inglaterra) para  visitar   Portugal  a meados de  Junho de 1820 , e viveu cerca de dois anos numa residência em Lisboa e Cintra,   mencionou as “estufas” de viagem; as clássicas liteiras, com os machos ás varas, em marcha, em geral devagar;  os florões, os estufins e as seges andarem  depressa, apresentando além disso o inconveniente de se equilibrarem mal nos correões e nos rodados altos.

O livro  – Lisboa dos nossos avós – de  Júlio DANTAS

       Os cocheiros e segeiros de boleia bebiam com convicção, e os desastres eram relativamente frequentes nas ruas de Lisboa -

       Os criados dormiam distribuídos por diversos quartos existentes na casa, muitas vezes, dentro de armários ou compartimentos; “despensa da Escada, dispensa da cozinha, ou no estábulo com os lacaios de estrebaria.

Estes, recebiam duas mantas, das quais ficavam responsáveis. “Dormem ou no chão ou sobre fardos de palha”

     A iluminação era um bem muito escasso, Os criados que viviam em anexos tinham direito á iluminação, recebiam um quartilho de Azeite combustíveis líquidos (petróleo) e sólidos (carquejas) e lenha pertencente á propriedade da casa. Os servos não tinham   direito a castiçais e velas.

Os palácios ou residência enorme com um número de leitos em geral, significativamente baixo.


Marian Baillie registou na casa do marquês de Marialva com  “cinquenta criados a postos; a casa do marquês de Fronteira havia oitenta pessoas” entre amos e criados; casas do marquês de Castelo Melhor existiam cerca de quarenta criados. No entanto, o mais comum seria um número nunca nem inferior a duas dezenas, incluindo Pardas e Pretas. 

Os menos ricos nas suas residências tinham um número de criados menores. Quase todos escravos a fazerem os serviços com competência.

 E ficavam nos inventários de herança que fazia conflitos entre herdeiros, querendo todos ficar com os mais valiosos dos 16 aos 30 anos. 

  Marianne Baillie toma  como exemplo, o registo de despesas pertencente à casa do duque de Lafões, D. João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2º duque de Lafões. referente aos salários, e ao ano de 1798, sabemos que a despesa mensal  relativa despesa paga aos  criados que serviam o senhor da casa  totaliza 26$600 réis e para  os  que estavam sob as ordens da duquesa, D. Henriqueta Maria Júlia de Lorena e Menezes,  despendia-se 28$600 réis.

A mesada do duque de Lafões era 200$000 réis e a duquesa recebia  112$00 réis, fazendo   a despesa total 428$560 réis. - Cf. Arquivo A.H.S.-ICS NGM 003, Caixa anno 1800.

     Os fardamentos representam uma  parcela importante, quanto aos gastos da casa de Lafões. O ano de 1801, foi gasta na aquisição de fardas a quantia de 805$940 réis, e em 1803, voltou a despender 580$340 réis.

    As  librés eram constituído por calções, meias de seda, sapato de fivela, casaca à moda da época e, em logar da cabelleira loura, uma coifa preta com lantejoulas da mesma cor”. As librés indicavam a situação económica de uma determinada casa e, o estatuto na corte e um sinal de riqueza para o exterior do país.

                D. José Trazimundo, marquês de Fronteira e d’Alorna visitou  a  casa do senhor de Murça, o 1º conde de Murça, D. Miguel António de melo Abreu Soares de Brito Barbosa Vasconcelos (1736-1836) , sendo    recebido por um  porteiro  vestido no rigor como  antigos guarda-portões das casas dos fidalgos. os restantes criados  vestiam  de libré à moda do tempo  do primeiro dono da casa.

os criados mais inferiores, que trabalhavam nas zonas de serviço e não frequentavam as salas, os  corredores e não se cruzassem  com os donos da casa, não  tinham direito a farda. Estes não podiam prestar serviço aos convidados, nem podiam substituir um criado fardado em caso de doença. O criado fardado só poderia ser substituído por “hum outro criado de farda”

    as o casiões especiais, nomeadamente aquando da realização de um evento festivo, envolvendo um grande número de convidados, o número de criados podia alterar-se. O duque de Lafões teve a necessidade de contratar “ cozinheiros de fora”.

       Devemos considerar, consoante o poder económico das casas, que, anualmente ou de dois em dois anos, vestiam os criados com novas fardas. Para além das librés, também os sapatos eram comparticipados na totalidade pela casa de Lafões, como sucedeu com um pagamento feito pelo duque de Lafões, que tinha “ nove creados para os remontes de Botas” importadas no valor de 18$000 réis.

Esta regra não abrange todas as casas. Os  creados  calsão à sua custa - casa do conde de Rio Maior. O 6º conde de Vila Nova de Portimão D. José Maria Xavier de Lancastre (1742-1779), estava fora de todos esses  privilégios…

 

D. José Trazimundo


      Os palacetes tinham dois “tinellos”, ou um com duas mesas: a dos criados graves, e dos criados inferiores, que, serviam os criados graves.

    A alimentação diária era determinada pela importância do cargo do creado, e muitas vezes pelo tempo de serviço na casa.

Todos eram contratados tinham direito a «reção singela” de prato do meio e 20 reais de pan»- de má qualidade.  Os criados novos recebem pão de custo de  620 réis,  mensal,  enquanto outros mais velhos  auferem uma ração dobrada e 1$420 de  pão a mensal.   

A comida dos criados era tabelada. Surgem os que haviam estabelecido direito a quaisquer refeições, e os de salários mais elevados que trabalhavam “a seco”.

Os que queriam trabalhar “a seco” alimentavam-se há sua custa como queriam.

Esse processo ainda era utilizado pelos camponeses do seculo XX que trabalhavam à jorna. O que ganhava menos era recompensado na alimentação que, por vezes não era satisfatória. As refeições eram tomadas no “tinello”-  “casa com mesa  para criados.

diz    D. José Trazimundo : - Nem todos os fidalgos eram recebidos pelo rei de braços abertos. Não generalizando, os reis recebiam os da sua maior confiança em quem  acreditavam, fossem eles falsos, a sua palavra valia mais que um numero de pessoas a jurarem verdade. 

 As salas tinham cortinados amarelos, azuis, verdes, bordô de tafetá. O luxo e o rigor da vestimenta dos criados era um efeito cénico com uma mancha unívoca e inconfundível.

As Cadeiras de brocado , cravejada de pregos de prata  faziam parte do luxuoso  mobiliário

os  quartos  íntimos, e as zonas sociáveis ficavam sempre longe da intimidade dos  oratórios. A    proximidade seria profanadora. 

Os oratórios As camas da realeza dos paços eram soberbas, suportando um colchão de lã meirinho e, por travesseiros e almofadas de lã.

     Os cobertores eram adornados com o brasão de D. Manuel a fio de prata e ouro. As cobertas feitas de damasco.

 É frequente as grandes casas nobres haver só uma cama de  casal, tendo os filhos que dormir em colchoes no chão - Panorama de Lisboa no ano de 1796. Os serviços completos de loiça incluíam facas, fruteiras, e a companhavam toalhas de mesa com oito metros, guardanapos e, toalhas de mão bordadas a fio de ouro e prata.


Retalhos retirados  da casa do Marquesado  da Fronteira, Julio Dantas e de  Marianne Baillie

 

 


terça-feira, 6 de setembro de 2022

Os terços do Exército Português

 

Os terços do Exército Português

 


  Segundo o modelo espanhol copiado  durante o reinado de D. Sebastião, manteu-os até ao século XVIII. Segundo o regulamento de 1643 Era uma unidade militar comandado por um mestre de campo, coadjuvado por um sargento mor,  dois ajudantes e 1.500 homens, e um tambor mor. O terços tinha  12 companhias a 125 homens cada, compreendia 40 piqueiros, 60 mosqueteiros e 25 arcabuzeiros, a serem comandados por um  capitão, alferes, onde faziam parte o abandeirado (pagem do alferes, cuja função era transportar a bandeira), o capelão, dois sargentos, dois tambores e um pífaro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

São Carlos Borromeu - Concílio de Trento (1545-1563)

 São Carlos Borromeu -   Concílio de Trento (1545-1563)

São Carlos Borromeu (Arona, 2 de Outubro de 1538 — Milão, 3 de Novembro de 1584). O primeiro bispo a fundar seminários para a formação dos futuros padres; cardeal,   exerceu seu episcopado na Diocese de Milão e participou na abertura e finalização do Concílio de Trento.

O tratado de S. Carlos Borromeu, a igreja deveria assemelhar-se a uma ilha, com as suas paredes separadas das paredes de outras casas. Exceptuando as igrejas conventuais.

As igrejas são todas de planta longitudinal, regra geral de uma ou de  três naves  com a composição arquitectónica e artística simétrica, apresentando proporções aproximadas ao corpo humano.  Quanto à planta da igreja deve ser, preferencialmente, em forma de cruz alongada, «como se observa nas maiores sacras basílicas romanas».  E, a   fachada sempre  voltada para a artéria principal da freguesia.  Segundo S. Carlos Borromeu, no capítulo XXVI do seu tratado, a torre sineira da igreja paroquial deve ser quadrada ou de outra forma, com  três sinos, e ter sons distintos entre si, de acordo com as diferentes naturezas dos ofícios divinos.

  capela-mor do lado da Epístola,  centrada em relação à nave. 

        O cálice e uma cruz latina, símbolos da Paixão e da Eucarística decoram a janela do coro-alto.

 As Ventanas (abertura) proporcionadas e elegantes a rasgar cada parede. As ventanas mais altas devem ser distinguidas com colunas ou pilastras.

       O orago (imagem) está normalmente à esquerda (lado do Evangelho), se estivermos de frente para a fachada, e seguem-se as devoções com maior veneração, a seguir ao orago.

     A posição de Nossa Senhora, dizendo que o orago deve estar «pelo seu lado direito», então tratar-se-á do lado do Evangelho.

      As esculturas são protegidas por nicho em lugar elevado e as representações pictóricas encontram-se, quanto muito, à altura do observador, suficientemente protegidas do chão, da sujidade e da humidade.

Instructionum fabricae et supellectilis ecclesiasticae libri II, publicadas em 1577 por Carlos Borromeu.

Instructionum fabricae et supellectilis ecclesiasticae libri II, publicadas em 1577, de Carlos Borromeu estão baseadas em   Marcus Vitruvius Pollio) arquitecto romano que viveu no século I a.C.

       O tratado "De Architectura" de


Vitrúvio, da biblioteca da abadia beneditina de Saint-Gall. serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Arquitetura e Urbanismo, Hidráulica, Engenharia, desde o Renascimento. A formação académica dos arquitectos da época, que era um ofício aprendido pela prática com mestres-de-obras experientes