quinta-feira, 14 de abril de 2022

. Mario José Domingues

       

Mário José Domingues (3-07-1899- 24-março de 1977) falecendo com 77 anos.

      Nasceu na ilha do Príncipe, no arquipélago de S Tomé, filho de uma negra chamada Kongola  ou Monga , natural de Malange , e de um funcionário da branco da roça , António Alexandre  José Domingues  tendo sido levada  para a ilha do Príncipe  com  15 anos, contratada á força para trabalhar na roça do infante D Henrique , propriedade da empresa Casa Lima  e Gama.

O pai trouxe-o para lisboa aos 18 meses, para casa dos avós paternos, avenida almirante reis n135 onde é criado pelos avós, gente de classe media que poe o neto a estudar no antigo colégio francês, que na época se situava na rua Álvaro Coutinho, junto á igreja dos Anjos, onde estudavam os filhos dos mais privilegiados de Africa, India e Brasil, e admitia raparigas nos cursos secundários.

      Mário José Domingues conviveu com Reinaldo Ferreira – repórter X 10 de agosto de 1897 — Lisboa, 4 de Outubro de 1935), com quem participou numa das peças em co-autoria.

 Cruzou-se na sala de aulas com Cristiano Lima – seu futuro colega de redacção do diário anarquista, A Batalha;

Joaquim Rosado Fernandes

     Mário Teixeira Bastos e António Ferro, casado com a poetisa Fernanda de Castro, que também frequentava o colégio francês.

     Mário José Domingues começa por tirar o curso de comércio. «Torna-se simpatizante do partido republicano e mais tarde do sidonismo e estado novo, no qual, entre 1933 e 1949 foi dirigente do secretariado da Propaganda Nacional SPN,» chefiado pelo seu amigo António Ferro. a controvérsia entre autores está entre ser  convidado pelo  amigo  e o  recomendado por António Salazar, quando  ele se manifestou  contra o  racismo, exploração e opressão sobre os homens e  mulheres sobre a dominação colonial. António Salazar, não gostou e mandou-o calar. 



 

      Mário José Domingues com o curso comercial iniciou a sua vida profissional em 1910, como ajudante de guarda-livros casou duas vezes com mulheres brancas. a primeira esposa foi   a professora primaria  Maria Amália Freire  Nunes Pimentel (Domingues), com quem teve dois filhos. A segunda esposa foi Maria da Conceição Garcia, do qual nasceu um filho e uma filha que faleceu de meningite em criança.

Filho

António Pimentel Domingues (Lisboa, 1 de Novembro de 1921 — Lisboa, 14 de Agosto de 2004) pintor, artista gráfico, professor de serigrafia na escola António Arroio artes gráficas, e militante do P.C.P. a partir de 1946, era filho do primeiro casamento. Os livros editados pelo seu pai – editorial Globo- têm as capas por si coloridas.     



       

 

      

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A tasca do Poço do Gato

 

 A tasca do Poço do Gato

 

 

     Antes da actual subestação eléctrica do Poço do Gato cruzavam-se os caminhos; o ponto de encontro dos amigos, dos inimigos, dos gados da transumância, dos mercadores, dos batalhões de soldados e onde se davam os assaltos. É local de lendas. Ponto de encontro dos irmãos e amigos que nasceram nas redondezas e nunca se separaram. Os homens andam vagarosamente pela estrada com todos os sentidos concentrados- sem noção das distâncias…

Não deixam de vir de longe assomar no horizonte o Poço do Gato, efectuosos e saudosos dos tempos de infância.

 

 

A tasca do Poço do Gato, era onde se ouvia os segredos e se desvenda a amizade dos anos somados. O espaço comercial não passava de um cubículo onde apenas cabia a pipa do vinho, o fogareiro e com muita dificuldade se acomodavam os frequentadores. Ali, comia-se e bebia-se à fartazana. Quem não tinha dinheiro pagava no fim do mês, ou quando podia. A tasca celebrizou-se pelo seu bom peixe frito e copo de vinho.

     No cruzamento do Poço do Gato, na estrada para Candosa havia uma Taverna sinalizada com dois ramos de loureiro, um colocado junto à estrada e outro sobre a sobre a porta da tasca com espaço de um cubículo, onde apenas cabia uma pipa de vinho, e outra de aguardente, o fogareiro. O taberneiro mal se podia mexer ao partilhar o espaço com velhinha de cabelos brancos, orbitas vermelhas e humedecidos, magra, corcovada, na confecção do peixe frito fritar.

- A taberna do Poço do Gato estava  identificada por uma pernada  de loureiro erguida junto à margem  da estrada.   

     A tasca no cruzamento do Poço do Gato com o caminho para Candosa situava-se recuada do bulício da estrada. A minha mãe recorda-se de mesas e bancos de pedra e outros de madeira.

Mãe e filho trabalhavam quase sem descanso. A mãe cozinha e o filho atendia atrás do balcão. Embora a tasca seja um barraco pequeno, dava muito trabalho. O local tinha uns recantos destinados aos que traziam o farnel (merenda) e só compravam o vinho. Dizia o meu tio que algum resto que caísse no chão era «varrido pelos melros, pardais esquilos (desaparecidos) e mochos.

 

 

As sobras da tasca ficavam à mercê dos animais nocturnos; gatos e da pega-rabuda.

   A taberna do Poço do Gato era onde se podia estender os braços e as pernas. Satisfazia-se o ventre refrescando-se a goela e comprava-se um livro de mortalhas. A construção do barracão tinha um telhado com um pequeno beirado que acomodava poucos clientes da chuva.

     A tasca celebrizou-se pelo seu bom peixe frito e vinho servido em copos estreitos e altos de vidro grosso (quarta ou meia canada) acompanhado por uma fatia de pão de milho. Os dias em que havia sardinhas, os viajantes sentavam-se no exterior sobre as pias vazias ou, no chão a comerem uma batata e duas sobre um prato em cima dos joelhos.

      O taberneiro contava histórias aos viajantes que ali passavam, demorando-os para não pararem de bebericar.

     

      O uso da expressão da sopa de feijão queimado era muito vulgarizado na tasca do Poço do Gato.

      A sopa com um trago sabor a feijão queimado por se ter pegado ao fundo da panela.

      Cozer feijão consumia alguma lenha e uma manhã inteira. Quem punha a panela ao lume depois ia à vida dela. Controlava o tempo de voltar para casa. Levantava a tampa da panela, metia a colher de pau e mexia muito bem para o feijão não pegar ao fundo. Por vezes por um minuto, o feijão pegava ao fundo da panela.

 Há quem dissesse no final de comer a sopa, que ela tinha um sabor a queimado com a intensão de não a pagar, e outros para enfurecer a cozinheira.    

 

     A estrada dos que vão e vêm no Poço do Gato. O caminho da fuga no tempo das invasões francesas, a poucos metros à frente, na direcção da Guarda existe o caminho sulcado por burros e marcas fundas das rodas fundas dos carros solitários por uma cautelosa descida a um vale baixo com pomares vinhedos, e casinhas vistas á distancia.

Cruzamento do Poço do Gato com a via a Candosa

   

  Cruzamento do Poço do Gato com a via a Candosa

      No tempo do meu bisavô José Libânio e de seu genro (meu avô José Alves Talisca), havia no local um matadouro antigo a céu aberto, como tantos outros junto à estrada real chamados «Poço do gado» para abate e dessedentar animais destinados ao açougue.

Existem referências que os açougueiros juntavam-se nas praças das vilas ou no «Poço do gado.»

     Não tendo pormenores detalhados dos meus antepassados debrucei-me sobre os opúsculos escritos do Poço do gado e os de Celorico da Beira.

  O Licitador Lança o preço num pregão para se arrematar um corte de carne. O licitante levantava com a mão um ramo verde como sinal de aceitação.

Poço do Gato / Estrada Nacional Nº17


 

 Poço do Gato / N.17

 

     O Poço do Gato situasse junto á transversal do caminho vicinal para Candosa na estrada N17, antiga estrada Real, que vai de Coimbra á fronteira Espanhola, construída a partir de 1868.

 A Rainha D. Maria I nomeou o conde de Valadares como primeiro superintendente das estradas do reino em 1791.

 1910 - Brito Camacho (1862 —   1934) alterou o nome da estada real para estrada nacional.

 As estradas em Portugal ficam sob a « administração de estradas e de turismo » a partir de 17 de Outubro de 1920.

    As estradas tinham junto a ela um abrigo para os cantoneiros de conservação, de um cantão com 4 quilómetros, chefiado por um cabo e por um chefe de cantões e seis a nove cantoneiros que recebiam o ordenado à quinzena, comparado ao da jorna do agricultor:

    Faziam a Limpeza da lama para não humedecer o pavimento e para que a brita não se enterrasse.

     O início de 1894 foi reduzido as despesas públicas, e ao fim de dois anos algumas estradas já se encontravam em ruina.

   Sabemos da existência da Administração de cantões e depósitos de materiais entre 4 a 5 quilómetros de distância umas das outras…  

  A estrada do Poço do Gato tinha três cantões, Espariz, Venda do Porco, e Administração com depósitos de materiais na Venda de Galizes.

      O Poço do Gato é uma extensão referida na antiga estrada real, conhecida antes da sua construção como um matagal caducifólio* ou floresta de coníferas, com uma linha de água onde previve uma estrada a perpetuar uma toponímia, do qual pouco ou nada se conhece. Toponímia de Poço e Gato aparece com vários topónimos compostos. No sentido poço, poderia ser público ou privado, que abasteciam em tempos onde ocorriam grande número de carroças. Quanto há relação gato (Bravo), temos Outeiro dos Gatos, Quinta do Gato, Poço do Gato, que estão relacionados com locais de Gataria, (gato bravo) Gateira (armadilha para gatos).

       Lince ibérico ou gato-bravo – nome Popular como era chamado - era uma espécie dificilmente observável no seu habitat natural devido aos seus hábitos nocturnos. Os meus avós, as minhas tias mais velhas, e o seu irmão Ernesto que estavam alerta, testemunham as pegadas de gatos de pequeno porte constituídas pelas marcas de 4 dedos que coabitam em áreas abertas e dentro dos pinhais. Muitas vezes a pessoa confundia-os com raposas. 

O meu tio Adelino nascido em 1929, testemunha os finais dos   anos trinta, quando já estavam quase     extinguidos pela expansão agrícola, declínio do seu habitat e atropelamentos das viaturas que começaram a circular na estrada em 1930:

«O gato ou lince ibérico. Praticamente só eram vistos aos crepusculares-nocturnos ou ao encerrar do dia. Durante o dia refugia-se em buracos de árvores, fendas nas rochas e em tocas abandonadas de texugo, raposa ou coelho.

 Os meses quentes de Verão podiam ser vistos ao ar livre, procurando o fresco e o refúgio que a floresta lhe oferece.

 Havia  quem disssesse  ser mais plausível no local ter havido um algar(a)

 

(a)                 Poço ou abismo natural, originado pela acção mecânica das águas, ou aberto a partir de uma caverna, pela acção dissolvente da água nos terrenos calcários.

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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento de Vila Pouca da Beira


      Historicamente, os dados que tenho figura-me uma certeza significativa dada há pouca atenção da época e aos redigidos de uma letra uniforme, da mesma mão, cronologicamente muito pouco precisa, com poucos dados referidos…
     Acidez, repasse de tinta e folhas destacadas de algumas encadernações truncadas e também rasgadas com omissão de texto, prejudica a leitura.

      Tendo alguns escritores supostamente terem feito a sua história para melhor defenderam os seus interesses… a deixarem em causa algumas controvérsias. A época a que correspondem estes acontecimentos é profundamente marcada por constantes revoltas com pouca ou nenhuma autoridade. Alguns conteúdos por mim lidos estão significativamente comprometidos deixando-me entre o mito e a realidade quando as vicissitudes históricas põem apenas hipóteses… por não termos conhecimentos subsequentes. 







     Diz-nos a história: 
Vila Pouca da Beira foi o local escolhido para erguer uma casa conventual, cuja invocação foi muito difundida na centúria de Setecentos. As razões para a escolha deste lugar de implantação, terão sido «a beleza do sítio, a amenidade dos ares, a abundância de água, a abundante vegetação, a fauna e flora paradisíacas e, o esplendor de uma desafogada paisagem» - opinião vista Bispo Conde de Coimbra, D. Francisco Lemos de Faria Pereira, Coutinho, testemunhada pela descrição arquivística e inventário espólio documental do cartório da Mitra Episcopal de Coimbra.

                                       Vila Pouca da Beira 


      Povoação Vila Pouca da Beira recebe a carta de foral atribuída a 20 de Dezembro de 1519 pelo rei D. Manuel I, já com tradição religiosa com a referida a existência da primitiva «ermida de S. José, sob um largo com um pelourinho, a escassa centena de metros num pequeno cabeço isolado, sobre a colina fronteira ao rio Alva». Foi possivelmente demolida ou incluída numa das dependências da singela arquitectura do convento. 
     A primitiva ermida de S. José com vicissitudes desconhecidas, ao fim de algum tempo, a fim de prover as necessidades de espaço para a comunidade monástica alargou-se o edifício até á construção vigente?
As construções começavam com um pequeno templo de nave única, preparada para poder de futuro ser refeita.
O desenvolvimento das povoações fazia com que se alargassem os locais de culto. Construída uma capela, acrescentava-se uma nova dependência á velha construção.

     Vila Pouca da Beira, foi vila e sede de concelho até ao início do século XIX, constituída apenas pela freguesia da sede com uma população 402 habitantes em 1801, depois, acabou por ser anexada ao concelho de Avô, e que hoje, são duas freguesias do conselho de Oliveira do Hospital. Vila Pouca da Beira em 1848 tinha 3000 pessoas, tendo hoje menos que no começo do seculo XIX.

   A mitra de Coimbra possuía o privilégio de jurisdição cível e crime em diversos coutos do bispado de Coimbra, como Arganil, Avô, Barrô, Candosa, Coja, Lourosa, Midões, Santa Comba Dão, etc., nos quais nomeava juízes, ouvidores, meirinhos, alcaides, inquiridores, escrivães e tabeliães. Eram os juízes dos seus coutos e vilas que dirimiam todas as questões judiciais, mas em Coimbra as decisões eram tomadas no Auditório ou Relação Eclesiástica.



      Convento do Desagravo da Villa Pouca da Beira começa a ser erguido no último quartel do século XVIII. A licença de construção refere: Convento de Desagravo do Santíssimo Sacramento de Vila Pouca da Beira, concedido pelo Bispo Conde de Coimbra, D. Francisco Lemos de Faria Pereira, Coutinho, (1735 — 1822) a 19 de Agosto de 1780, conforme a Provisão Régia e Episcopal, - como proprietário, era quem podia autorizar as instituições monásticas na Beira.
     Seguindo todas as fontes coevas, com a morte de D. Francisco Lemos de Faria Pereira, Coutinho, sucede-lhe o Patriarca de Lisboa Francisco de São Luís Saraiva, que levou a construção do «Convento do Desagravo a estar apto a ser habitado onze anos mais tarde do começo da sua construção, embora não totalmente concluído, apenas faltando a finalização de pequenos trabalhos.» O que leva a crer depois de consultar alguns documentos, que o convento estaria habitado entre finais de 1800 e 1801, a ultima data está gravada em um dos sinos. O ponto final da construção exibe-se na data 1817 de um segundo sino.

      Uma segunda versão: “A construção deverá ter começado a ser construído por volta de 1780 e ter ficado pronta cerca de 1800, quando chegaram “duas irmãs clarissas do convento do Louriçal, alojadas no hospício, parte do edifício já acabada.”

       Provisão Régia e Episcopal citam que, o convento estava sobre a alçada do ordenamento do administrador da concelhia local, vivendo com as esmolas do povo, da semeadura dos seus terrenos e das dotações da nobreza de Vila Pouca da Beira.

     Os eclesiásticos nos séculos anteriores tinham o hábito de rasurar nos documentos as palavras e entrelinhar um duplo sentido de interpretação complexa como hospício, recolhimento, - que possivelmente queria dizer casa de hóspedes. O hospício do Convento do Desagravo de Vila Pouca da Beira dava guarida temporária ao Bispo-conde de Coimbra e recebeu titulares de dioceses. 

Existe a versão lendária de que a verdadeira criadora do convento: 

      «Mulher analfabeta do povo, fundadora e dinamizadora, “Soror” Genoveva Maria do Espírito Santo, falecida a 31 de Dezembro de 1821. Recolheu esmolas, não só no país como na corte no Brasil recebendo jóias das mãos da Rainha D. Carlota Joaquina, e que ambas comprovam em documentos escritos, e da mesma forma.» - Sem que se refira quais as fontes e onde se encontram.». Cria-se aqui uma confusão com a aia de D. Pedro IV, D. Maria Genoveva do Rêgo e Matos, irmã de D. Maria Constância do Rêgo Matos, sendo o único nome mais parecido.
     A lenda de Genoveva Maria do Espírito Santo, não tem qualquer credibilidade. Os transportes eram lentos, e dispendiosos para qualquer pessoa da classe media baixa. Só os homens bem renumerados, comerciantes empresários ou titulares hierárquicos podiam dar-se ao luxo de sair de casa para qualquer ponto distante do país. Dificilmente senão impossível uma mulher do povo analfabeta atravessar o oceano duas vezes, a não ser que fosse criada da realeza. Que partiram em 1808 e regressaram em 1821, quando o convento já estava edificado. As viagens por mar ao Brasil, lisboa, Rio de Janeiro levavam quatro a cinco meses. As doenças a bordo faziam transtornos de toda a ordem. Os infectados a bordo duravam pouco e eram sepultados no oceano.
     Canonicamente descreve-se uma lenda em que as abadessas fundadoras são, Soror Maria do Lado e Soror Maria Barbara, mas a primeira simplesmente foi a verdadeira inspiradora do convento do Louriçal(1), e faleceu em 1632, já teria sido estigmatizada um pouco antes de morrer, fora considerada prelada perpétua e venerável desde 1720. Soror Maria Barbara viria a ser abadessa, que tomara a direcção do convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento de Vila Pouca da Beira com freiras clarissas em “compromisso perpétuo”, que implicava os votos de obediência, pobreza, castidade e clausura. A ordem religiosa deu grande contributo para o desenvolvimento da região. 


(1)        -As irmãs clarissas do Louriçal pertencem a uma Congregação fundada em 1631 e que, posteriormente, foi agregada à Segunda Ordem Franciscana (Ordem de Santa Clara), em 1709, tomando a designação de Clarissas do Desagravo.







     A presença das freiras clarissas fizeram crescer vários aglomerados populacionais que em seu redor fixaram residência, e mais tarde se tornarem freguesias.
     A falta de crescimento populacional fez com que migrassem de zonas mais povoadas para locais de fraca demografia. O número de mortes superava todos os anos em mais de metade das crianças falecidas. A mortalidade, quer adulta, quer infantil, ficou a dever-se à trilogia da fome, da peste, doenças sazonais e por final das guerras. O número elevado de mortos estava entre as camadas mais pobres, que faleciam em palheiros com condições degradantes e desumanas. 

                                    A invasão Francesa

     A invasão Francesa a Portugal a 15 de Setembro de 1810 pela Beira, com o objectivo de alcançar rapidamente Lisboa através de Coimbra, acabou por sacrificar o Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento de Vila Pouca da Beira. O exército francês mais numeroso das três invasões francesas a Portugal com um efectivo total de 65.050 homens, oficia, sargentos e soldados, comandados pelo general Massena, que contava unidades de apoio dos desertores portugueses, Pedro Almeida, Marquês de Alorna e muitos outros exilados que optaram por ficar em França.  

     Convento do Desagravo resistiu à fúria das invasões francesas, e mais tarde das leis liberais que ditaram o encerramento dos conventos.

 A extinção das ordens religiosas em 1834

    As Cortes Constituintes do reinado de D. João VI por Decreto de 18 de Outubro de 1822, proíbe a admissão de noviços nos conventos e reduz as casas conventuais. Essas determinações foram suspensas depois da contra-revolução de 1823, mas não "saiu do espírito dos liberais a ideia de executarem uma nova reforma eclesiástica de futuro a seu modo".
     A contra-revolução ao movimento político português de 1820 começa, por assim dizer, no próprio momento em que se dá o levantamento do Porto de 24 de Agosto, vai crescendo no decorrer do processo revolucionário e tem o seu momento vitoriosono golpe da Vilafrancada, ocorrido em 27 de Maio de 1823.
     1834 - Surge o decreto de extinção das Ordens Religiosas pelo Ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar, que redigiu o texto do Decreto assinado por Pedro IV de Portugal, foi publicado em 30 de maio de 1834. Por esse diploma, eram declarados extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas sendo os seus bens secularizados e incorporados à Fazenda Nacional, à excepção dos vasos sagrados e paramentos que seriam entregues aos ordinários das dioceses.
     O diploma afirma ainda que seria concedida uma pensão anual aos religiosos que não obtivessem benefício ou emprego público o que nunca veio acontecer Esta lei valeu a António de Aguiar o apelido de "Mata Frades". 
     Todas as instalações conventuais do país foram sucessivamente ocupadas pelos mais diversos serviços e organizações do estado ou foram vendidas à semelhança de tantas outras restantes em hasta pública.
 Quanto às ordens religiosas femininas continuaram a existir sem poderem admitir noviças. Ficando assente em 1862, que os conventos e mosteiros femininos seriam extintos por óbito da última religiosa, sendo os bens da instituição incorporados na Fazenda Nacional.


     A extinção das ordens religiosas em 1834 veio interromper a vida conventual da ordem das irmãs Clarissas, mas a instituição permaneceu até que embora a última freira faleceu em 1889, data em que o convento foi de facto encerrado.
 




 Cronologia Da utilização das instalações do Convento

1889 – A 20 de Julho faleceu a ultima religiosa do convento de Vila Pouca, depois as instalações de uma parte do convento foram adaptados e ampliados para hospital para fazer face á doença da tuberculose com o empenhamento da Rainha D. Amélia, do seu médico D. António de Lencastre e doutor Sousa Martins, ficando o Doutor, Lopo de Carvalho, responsável pelos centros onde residiam ou estabeleciam doentes, praticando a chamada cura livre – vivência em clima de montanha, sem acompanhamento médico regular.

1928 A 1935 - Encontrava-se instalado o Posto Agrário do Mondego, extinto em 1935. Estava destinado a promover o aperfeiçoamento e os processos de cultura. O emprego das adubações e seleccionar sementes. Ensino do processo adequado para produção de cereais.
 
1935- Arrendado às religiosas Doroteias, que ali se instalaram em 1936 um colégio, encerrando o mesmo em 1939, e deixado a vila a 13 de Dezembro do mesmo ano. Dois anos mais tarde, o edifício é aberto e documenta-se num livro da diocese de Coimbra que, o Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento de Vila Pouca da Beira encontra-se muito desagradado, sem condições para habitar.

1942 – O convento recebeu obras de sustentação. As obras centraram-se na implantação de uma estrutura de protecção das águas da chuva, consolidação da estrutura principal do edifício e cobertura de paredes expostas aos elementos. Toda a zona envolvente foi alvo de regulares intervenções ao nível da limpeza dos terrenos e arranjo dos seus acessos. Depois das reparações, estiveram em trânsito um grupo de irmãs Dominicanas, após realizarem o noviciado no Mosteiro de Prouille, França, para expressarem a misericórdia e a compaixão para com a humanidade com gestos de solidariedade e na educação. Permaneceram pouco tempo, esperando serem colocadas na Casa de S. Domingos do Santíssimo Rosário, em Fátima, ainda em construção, onde permaneceu até 1984, que foi transferida novamente para a Casa de S. José, Quinta do Ramalhão, em Sintra.   
 1952 – Instala-se a Junta Geral da Província da Beira, com o código Administrativo desde 1836: Juntas Gerais de Distrito - órgãos de administração regional do território, desenvolviam actividades de assistência infantil, hospital, e colonia de férias “Ar e Sol”. Bissaya Barreto tomou posse como presidente da Junta Geral do Distrito de Coimbra em 1927, dando continuidade às obras antituberculosa, protecção às grávidas e, defesa das crianças, até 1959, quando o Código Administrativo das províncias foram extintas como autarquias e, substituídas pelos distritos, que passaram a dispor de dois órgãos: o Conselho de Distrito, formado por procuradores de cada um dos municípios do respectivo distrito, e a Junta Distrital, eleita pelo Conselho.
1959- Quanto às informações superficiais sabemos, que inicialmente o espaço emblemático do convento parcialmente utilizado como hospício, passa a ser utilizado para prestar serviços de carácter social, mas ligado à assistência infantil da Fundação Bissaya Barreto, constituída em 1958 com um património inicial de 1.200 contos de réis, inscrito pelo patrono, acrescentando um valioso património imobiliário (urbano e rústico) localizado em diversos concelhos da região do centro do país.
1975 A 1983 serviu de alojamento de algumas famílias desalojadas das antigas colonias.
     2000 – Depois colonia de férias para crianças, pautou-se pela adaptação do mesmo a uma unidade hoteleira, como nos é apresentada nos dias de hoje.
     Fundação Bissaya Barreto inicia obras de recuperação e de adaptação de convento a unidade hoteleira, actualmente com todo o espaço revitalizado a funcionar como pousada a partir de Julho do ano 2000. - Integrada no conjunto das Pousadas de Portugal.


domingo, 16 de outubro de 2016

     Bancarrotas Portuguesas




Oficialmente a 1ª bancarrota ocorreu em 1560 durante a regência da viúva de D. João III e a última, no final da monarquia, acabou com uma reestruturação da dívida soberana cuja negociação durou 10 anos. Na realidade, podem-se contabilizar 8: 1560, 1605, 1834, 1837, 1840, 1846, 1852 e 1892, ou seja, a maioria já no século XIX.

     A parte final da dinastia de Bragança acumularia, entre 1828 e 1892, mais de duas décadas de situações de default, um recorde na história económica portuguesa. No entanto, o campeão das bancarrotas foi Espanha, com 12 episódios, concentrados na dinastia filipina e durante o século XIX.
     Dois outros momentos que fazem parte da história das bancarrotas de Portugal, apesar de não estarem catalogados como tal, são o período de hiperinflação no reinado do fundador da dinastia de Avis no final do século XIV e o aviso de bancarrota em 1544 através da feitoria portuguesa em Antuérpia ainda no reinado de D. João II.

1384-1422: Mestre de Aviz, o campeão da hiperinflação
     Um real de prata valia 19 vezes menos do que no tempo do reinado do seu meio-irmão D. Fernando, o último monarca da dinastia afonsina, e a inflação era galopante, tendo os preços quintuplicado.
A bancarrota seria certa se D. João I e os seus conselheiros não tivessem decidido, desde as reuniões em Torres Vedras em 1412, desencadear um processo de projecção externa cuja primeira operação viria a ser a conquista de Ceuta, em Marrocos, em 1415. Seguiu-se depois o intensificar do corso atlântico e finalmente a expansão marítima – os Descobrimentos.
Um balanço daquela época de economia de guerra e de crise até 1422: a desvalorização do marco de prata foi da ordem dos 100.000% face ao valor que tinha em 1383.


1544: A quase bancarrota na Flandres


     As dívidas na feitoria de Antuérpia, na Flandres, somavam 3 milhões de cruzados. D. João III salvou-se de ser o primeiro monarca português a decretar a falência do Estado. Os mercados financeiros europeus deram o benefício da dúvida pois o comércio das especiarias que vinha de além-mar era, ainda, atraente. Entretanto, a feitoria na Flandres seria fechada em 1549 e o rei morreria em 1557. Os problemas seriam herdados pela viúva, Catarina da Áustria.

1560: A herança que a viúva recebeu: o 1º default oficial

     Durante a regência caiu-lhe em cima a bomba da dívida astronómica. O neto Sebastião ainda era demasiado novo e coube-lhe a ela gerir a emergência da decadência do grande império manuelino. Em 1559 ainda foi possível levantar 900 mil cruzados como adiantamento na Flandres o que acalmou os credores da dívida portuguesa. Mas no ano seguinte já não havia volta a dar. Catarina resolveu "imitar" o sobrinho, Filipe II, que inaugurara em 1557, no país vizinho, a moda das bancarrotas ibéricas. O alvará de 2 de Fevereiro de 1560 representa o 1º default oficial português. Mandava cessar o pagamento de juros a cargo da Casa da Índia, proibia a colocação de novos empréstimos.
Na ponta final da dinastia de Aviz, nos reinados de D. Sebastião e do cardeal Henrique, as obrigações do governo português já se negociavam a 45 e até a 40% do seu valor facial. Pela época, as grandes casas financeiras alemãs e italianas que estiveram envolvidas no que parecia ser um excelentíssimo negócio, o da pimenta, foram varridas por uma vaga de falências.

 1605: o default com sabor castelhano
    O motor da venda de títulos pela Fazenda Real - que se tornara uma rotina desde os tempos de D. Manuel - começou a gripar pelos anos de 1600. A pimenta deixara de ser monopólio dos portugueses com a desagregação do império português no período filipino de monarquia dual entre Espanha e Portugal e sobretudo depois do início da ofensiva dos holandeses no Índico.
Foi neste contexto que ocorreu a bancarrota de 1605 - uma peripécia menos conhecida e raramente referida.

1828-1834: A factura do "miguelismo"
     Com a morte de D. João VI em 1826, abre-se uma crise de sucessão que desaguou numa guerra civil entre liberais constitucionalistas e conservadores miguelistas que se agrupavam em torno da viúva Carlota Joaquina e do filho Miguel.
No meio da guerra civil, D. Miguel negociou em 1832 um empréstimo de 40 milhões de francos junto dos banqueiros parisienses Outrequin & Jauge, com um juro de 5% com uma maturidade a 32 anos. Apesar dos riscos envolvidos, os banqueiros franceses conseguiram que estes títulos fossem admitidos para cotação na Bolsa de Paris, onde, aliás, se mantiveram até 1837. Os credores internacionais que emprestaram ao governo de D. Miguel sabiam que estavam correr um grande risco pois estavam a apostar num governo com a possibilidade de cair.
     Os juros e a amortização ainda foram pagas até Setembro de 1833. Depois, derrotado Miguel, o empréstimo viria a ser renegado pelos liberais e depois pelo governo de Dona Maria da Glória, sobrinha de Miguel. O empréstimo não foi considerado legítimo. Eram contas do tio que, entretanto, fugira para a Alemanha. Que o fossem cobrar à Baviera, onde ele morreria.

     O assunto passou, assim, a contencioso. Os credores franceses organizaram-se em comité em 1840 e várias manobras diplomáticas continuaram pelas décadas seguintes a ver se conseguiam reaver pelo menos 2,5 milhões de francos, cujos papéis comprovativos consta que se encontravam no Tesouro em Lisboa.


1837 A 1852: O calvário de incumprimentos no reinado de Maria da Glória

     O reinado da filha de D. Pedro IV (o imperador Pedro I do Brasil), a jovem Maria da Glória, coroada D. Maria II (1837-1853), juntou vários eventos de suspensão de pagamentos, o primeiro logo em 1837, que geraram o período mais longo de defaults na história portuguesa.
Em 1852, decreta-se a consolidação da dívida interna e externa, o que gerou a revolta sobretudo dos credores ingleses, até que se celebrou um convénio em Dezembro de 1855, que no dizer do historiador Rui Pedro Esteves, da Universidade de Oxford, surpreenderia hoje pelos credores "terem aceitado a consolidação em troca de contrapartidas bastante modestas".
     Estas bancarrotas ocorreram num período de quase 20 anos de golpes e contra-golpes e de um movimento popular, a Revolta da Patuleia, mais conhecida por Maria da Fonte.
A situação só acalmou, de facto, com a regência do viúvo de Maria da Glória, o rei-consorte Fernando II, da poderosa casa europeia de Saxe-Coburgo e Gota. O país adopta o padrão ouro que permitia estabelecer uma relação com a libra esterlina, a moeda chave do comércio internacional e das relações comerciais com Portugal, e chega a acordo em Londres nos finais de 1855, com o Council of Portuguese Bondholders (detentores de títulos portugueses), liderado pelo banqueiro Richard Thornton.


1892-1902: A longa re-estruturação da dívida soberana no final da Monarquia

A famosa revista inglesa The Economist andava a avisar desde 1880: "Os mercados monetários da Europa estão a ficar cansados, e não sem razão, da constante solicitação por Portugal de novos empréstimos", escrevia em 27/11/1880. E em 1885: "No próprio interesse de Portugal era preferível que as suas facilidades de endividamento fossem, agora, restringidas".

  Rebentou então uma crise financeira mundial, com o epicentro na City londrina, iniciada em 1890 com a falência do banco Baring Brothers que contagiaria Portugal por vários canais, incluindo via Brasil. O próprio Baring era o principal parceiro do governo português na City e, na aflição, reembolsou-se em 1 milhão de libras em Lisboa, o que levou a uma redução significativa das reservas em ouro do Banco de Portugal. Em 1888, no Fenn's Compendium, Portugal já tinha sido considerado como um país de alto risco. Com a contracção dos mercados de capitais internacionais, durante a crise financeira mundial de 1890-1893, o ecossistema financista português desabou. Juntou-se o esboroamento do padrão-ouro que havia sido adoptado em 1854. Finalmente, viveu-se uma crise política aguda que misturaria o efeito dos problemas geopolíticos em África - com o ultimatum sobre o mapa cor-de-rosa por parte da Grã-Bretanha - com a ascensão do movimento republicano (revolta no Porto em 31 de Janeiro de 1891) e das lutas dentro dos partidos monárquicos.

     A balança de pagamentos acaba por ter um défice gigante em 1891, depois de um período em que acumulara excedentes. A dívida total (externa e interna) que andava pelos 24 milhões de libras em 1858 disparou para 127 mil milhões de libras. Apesar da pobreza do país, era a 2ª maior da Europa per capita, depois da França.

     A revista inglesa, de novo, escrevia: "Tem sido evidente de há bastante tempo que o país estava a viver acima dos seus meios. Mais tarde ou mais cedo era inevitável que acabasse em bancarrota - e foi à bancarrota que Portugal agora chegou" (6/2/1892). E acrescentava: "É inevitável uma redução significativa do encargo com a dívida, que absorve quase metade da receita total. Os detentores da dívida portuguesa têm de consentir num abatimento dos seus direitos, por força das circunstâncias". Os ingleses aconselhavam mesmo: "Se Portugal abordar os seus credores leal e francamente nestas linhas ser-lhe-á relativamente fácil efectuar um acordo razoável com eles".


      A solução acabaria por ser imposta por decreto. Os credores externos não aceitaram o curso forçado do papel-moeda emitido pelo Banco de Portugal. O default parcial acabaria por acontecer em Junho de 1892. O governo teve de suspender parcialmente os encargos altos da dívida. Em Paris, os credores ficaram surpresos com a redução das taxas de juro em 66%. O objectivo último acabaria por ser a reestruturação e reescalonamento dos pagamentos.
Julgava-se que no final do convénio de 1902 com os credores se obteriam novos empréstimos - mas isso não aconteceu. A dívida seria convertida num novo empréstimo amortizável a 99 anos, até 2001.
     O efeito de afastamento dos mercados financeiros internacionais não seria muito prejudicial para a economia real, que dependia sobretudo do comércio com o Brasil, as colónias em África e o Reino Unido. Os principais credores financeiros da dívida estavam em Paris e em Berlim. A economia portuguesa acabaria por recuperar relativamente bem.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O mistério da vida de William Shakespeare

     William Shakespeare


     Seguindo o velho ditado que diz: - “por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher “. Certos historiadores, defendem que, «Anne Hathaway, primeira mulher, era na realidade a autora dos textos que, posteriormente, o seu marido editava em londres para os colocar em cena.»
     William Shakespeare, embora a sua data de nascimento seja desconhecida, admite-se a 23 de Abril de 1564, com base no registro de seu baptizado, a 26 do mesmo mês, devido ao costume, à época, dos ingleses serem baptizados três dias após o nascimento. O seu misterioso desaparecimento, dado como falecido a 23 de Abril de 1616).
      Miguel Cervantes,- (29 de Setembro de 1547 -23 de Abril de 1616). Faleceu no mesmo dia de Shakespeare, e devido às similitudes dos dois poetas dramaturgos, e a coincidência da mesma data de falecimento, o escritor Carlos Fuentes (1928-2012) sugeriu que Shakespeare e Cervantes eram a mesma pessoa.

     Alguns estudiosos e pesquisadores acreditam na hipótese de que Shakespeare não seja realmente o autor das próprias obras, discutindo a questão da identidade de Shakespeare.
     A escritora norte-americana atribui algumas obras de Shakespeare a seu homónimo sir Framcis Bacon (1561 – 1626) 1°. Visconde de Alban, - Ensaísta, filósofo e estadista.
 
     O que sabemos é que Shakespeare foi o apogeu que revolucionou a história da literatura inglesa e universal. E, que fora a estrela da companhia de teatro de Lord Camberlain, sem que haja documento ou manuscrito assinado pelo seu punho, e com sua letra.
     Nunca apareceram das provas evidentes de que seja autor de “Hamlet.” 
     Não existem referências escritas por parte de terceiros, que ligasse o Shakespeare de Stratford-Upon-Avon de origens humildes, filho de John Shakespeare industrial e comerciante de peles.

 O registo de casamento com «Anne Hathaway, em 1582, do qual nasceram três herdeiros, registado no seu testamento em que não fora nada generoso com sua esposa, deixando-lhe a sua «segunda melhor cama» que, se pode supor que após da sua morte, vivessem separados.
 Sem que nada se saiba durante os primeiros dez anos de casamento. em 1592, aparece  instalado em londres     

  A morte de William Shakespeare envolve mistério. De acordo com os testemunhos da sua época, o seu desaparecimento causou grande impacto entre os seus contemporâneos. O seu legado é divulgado em 1737 com uma herança demasiado pobre para um homem tao celebre.


Os restos mortais de Shakespeare foram sepultados na igreja da Santíssima Trindade (Holy Trinity Church) em Stratford-upon-Avon onde se pode ler um epitáfio na sua lápide, que anuncia a maldição de quem mover seus ossos. – A razão para desconfiança!