segunda-feira, 4 de julho de 2022

Licitação dos bens conventuais em hasta pública

 

Licitação dos bens conventuais  em hasta pública




 Vendas dos relatórios e contas da Junta do Crédito Público, organismo encarregado da venda dos bens nacionais desde 1835 até ao fim do ano económico de 1842-43.

      A Venda de bens das corporações de religiosos regulares ( (Decreto de 30 de Maio de 1834) assinado por Mouzinho da Silveira.

     Os Bens da Igreja - Os passais, adquiridos em 1835  hasta publica que nunca foram baldios tinham  oliveiras velhas.

 

     A casa real, a nobreza e o clero eram os proprietários dos recursos que contribuíam para a subsistência do povo.

  Os camponeses, viviam afectados por nunca poderem ser proprietários de nada. Viviam e trabalhavam nos terrenos de um proprietário.



 

     A venda dos terrenos das ordens religiosas em hasta pública a partir de 1836 trouxe um aumento da superfície de área cultivada e produtividade agrícola. Os que compraram, fossem elas férteis ou em desamortização “especializaram-se e melhoraram os cultivos graças às novas inversões.”

      Não se sabendo ao certo o espaço desamortizado pertencentes à nobreza e ao clero, sabemos que o regime liberal teve o objectivo de salvaguardar as suas despesas como acabar com a desamortização e criar uma sociedade de pequenos proprietários adictos ao regime. Se transformassem em novos-ricos.




Entre os bens licitados em hasta pública encontravam-se os campos férteis dentro de grandes propriedades, adquiridas pelos mais ricos a viverem geralmente em cidades, e as parcelas mais pequenas, foram compradas pelos habitantes mais bem-sucedidos (filhos segundos) de localidades próximas.

 

A desamortização dos mosteiros, isolados contribuiu para a transformação de um novo modelo residencial. Os mosteiros viraram a conventos com a concentração de um aglomerado de gente que junto a ele construiu uma povoação. Muitos dos antigos edifícios religiosos passaram a ser utlizados como edifícios públicos; quartéis ao serviço das povoações.   




 

Muitos quadros e livros de mosteiros foram vendidos a preços baixos e acabaram por engrossar os fundos das bibliotecas privadas, públicas ou de universidades.

 

 


 

 

O exemplo dos terrenos dos bispos condes de Arganil

Três quartos da totalidade dos terrenos pertencentes bispos condes de Arganil estavam em desamortização. Eram considerados inférteis, e simplesmente utilizados para caça e corte de árvores.

 

 


       As vendas em hasta publica foram feitas após da constituição liberal. Os proprietários estavam sós com as suas famílias. Era preciso povoar as aldeias desertificadas.




     O local, ou anterior povoado por gente (liberais antes de 1844) que morreu sem perdão, sepultados num solo profano, e um pequeno numero em solo sagrado.

 









sábado, 2 de julho de 2022

Festas Religiosas de Lisboa

 

 

As Festas Religiosas

        As festas religiosas eram os grandes acontecimentos que a ignorância do povo celebrava ruidosamente, como um reflexo de ira: palmas, aclamações a bandarem perante uma pipa de vinho oferecido pelo alcaide da povoação, da sua adega régia. Para gaudio da população que, pela noite dentro acabavam por resistir com a voz tremula e o coração enfraquecido.

     As festas populares começavam com a primavera ou com o solstício do verão, como as comemorações das noites de Santo António e de São João, com muita gente feliz em vielas embandeiradas, com fogueiras, e de grupos de gaiteiros a desfilar em cortejo colorido. A norte havia o hábito das pessoas baterem com um alho-porro nos ombros uns dos outros, a desejar sorte, para que João os protegesse.

     Os mais velhos olhavam tudo, a conversarem em voz baixa, trocando confidências miúdas, sem disso ninguém desse conta, tornando-se figuras invisíveis – hábitos dos seus velhos tempos.

     Ao mesmo tempo ao longe viam-se os sobrados colossais dos endinheirados a brilharem de luxo ostensivo, com os seus ricos castiçais acesos. Os jardins estavam iluminados por criados em pontos predominantes à passagem dos convidados, com outros tantos com os seus impressionantes librés a circularem entre os presentes a distribuir bebidas e as mais finas iguarias.

O primeiro café de luxo de lisboa

 

Campadónico

 

 

 

    O primeiro café de luxo lisboeta, Campadónico, segundo conta Fonseca Benevides num dos seus romances históricos, diz, ter sido por sugestão do Marques de Pombal ao senhor Marcos Filipe Campadónico, que com ele esteve em londres durante o seu percurso de embaixador. Na mesma altura da reconstrução de lisboa apos do terramoto Marcos Filipe, construiu um modelo de café londrino na praça do pelourinho (actual nº23 e 24), que só veio a fechar em 1780. Segundo se consta pouco tempo depois é assinalado em 1780 abertura da casa de neve, que passou a chamar-se casa do café italiana, que actualmente é o Martinho da Arcada, onde os poetas começaram com o seu temperamento ardente desde adolescentes. Procuraram expandir as suas energias.

No mesmo texto de Fonseca Benevides e num depoimento do escritor Mário Domingues, (Bocage e a sua vida e a sua época), do terreiro do paço partiam transportes de faluas e andes a belém, a terminarem cerca da calçada da Ajuda. 

terça-feira, 28 de junho de 2022

Asilos

 

Asilos / Mercearia

 


       O primeiro asilo para órfãos e enjeitados foi criado pela rainha D. Brites, mulher de D. Afonso III, antes de 1330, denominado Hospital dos Meninos, situado na Mouraria, perto da actual Capela de Nossa Senhora da Saúde.

 

       A instituição asilo, era designada por mercearia (séculos XIII-XV). O asilo mais antigo de Portugal foi criado pelo o Bispo D. Domingos Jardo, Chanceler-mor do rei D. Dinis em 1284, na cidade de Lisboa no Hospital de S. Paulo, Hospital S. Clemente e hospital de Santo Elói, onde se situou o quartel da Guarda Republicana, no Largo dos Lóios.

Os hospitais surgiram no  século XIV ; os recolhimentos no século XVI-XVIII.

 

       No século XVI, foram estabelecidos as instituições do Criandario e a casa da Roda na Rua da Betesga; o recolhimento para donzelas órfãs, dirigida por D. Antónia de Castro, próximo da igreja da Misericórdia. Os estabelecimentos pertenciam ao Hospital de Todos-os-Santos.

 

       No século XIX generalizaram-se os asilos. O monarca  D. Pedro IV estabeleceu o primeiro Asilo da Infância desvalida para crianças com menos de sete anos, em 1834, semelhantes às Salles d’Asyle parisienses – considerado  antecessoras dos actuais infantários.

          O asilo era um estabelecimento que recolhia e educava crianças, mendigos e inválidos. Hoje em dia, o termo é conotado com a terceira idade, mas durante muitos séculos foi entendido como instituição de assistência, de caridade, referindo-se aos estabelecimentos hospitalares que recebiam os que não tinham lar, crianças e idosos, pessoas com doenças incuráveis, órfãos e viúvas.

 Convento de Santo António do Capuchos com « Asilo da Mendicidade»  que  funcionou de 1836 até 1928, quando foi transformado em hospital dos tuberculosos.

  Convento do Rato, Asilo da Nossa Senhora da Conceição, aberto em 1871. Recolhia raparigas abandonadas que obtinham o ensino básico, e aprendiam as tarefas domésticas, que eram recrutadas para criadas de servir. A partir de 1911 Só podiam sair com catorze anos e com a 2.ª classe.

 

O asilo das Irmãzinhas dos Pobres de Campolide para a vida dos idosos com um funcionamento muito rigoroso. os idosos eram obrigados a  levantarem-se  muito cedo, hora em que o sol nasce,( cerca de 5 ou 6 horas  da manhã)para   rezarem  Laudes.    Aquando da instauração da República as Irmãzinhas dos Pobres foram expulsas de Portugal (1911) e  o  Asilo passou a depender da Provedoria Central da Assistência aos idosos, que comiam, bebiam, dormiam e passeavam. As senhoras podiam usar rapé e os homens tabaco. Podiam dormir mais tempo, e não tinham horário rígido para rezar.

Casa dos 24

 




Casa dos 24

Antecessoras das actuais Assembleias Municipais que reuniam dois representantes de cada ofício das cidades.  

          Arquivo Municipal de Lisboa do reinado de D. João I, querendo que os artífices da cidade participassem no seu governo criou a Casa dos 24 em 1383. A Igreja de São Domingos onde Inicialmente se realizavam as reuniões e que após do terramoto de 1755 são transferidas para a Casa dos 24 de Lisboa situada na Rua da Fé, num edifício anexo à Igreja de São José dos Carpinteiros, foram extintas em 1834. Hoje é  a  Irmandade de Ofícios da Antiga da Casa dos 24.



Casas dos 24 de Lisboa, Coimbra,  Porto  e Braga.




quarta-feira, 22 de junho de 2022

O que é um Carapinhal

 

Carapinhal 


  Carapinha (s), Carapelhos, Carapinheira, Carapinhal e Carapeto(s), simples ou compostos, ocorrem com frequência no Centro e no Sul do país e, segundo J. J. Nunes, filiam-se em *Carpa / Carpinus ‘espécie botânica arbustiva / arbórea’.

     Anaptixe de [a], amplamente documentada em fontes moçárabes, onde bastante frequente aparecimento de uma vogal entre consoantes.


O Carapinhal era um campo de Carpa / Carpinus , que deu toponimia a muitas   localidades. 



carpin   - segundo a  lenda,   // Ambas eram obscuras deusas da sabedoria, O ritual do Samhain, celebrado em 31 de outubro, também conhecido em inglês como Halloween (contração de All Hallows Even, "Dia de todos os santos"), era o ritual mais importante do calendário celta. Celebrava-se no final do verão e do ano celta. Etimologicamente significa "o final do verão". O simbolismo que representa a sucessão das estações, a fertilidade da terra e o ciclo da vida e da morte.  O mito, viaja a uma terra afastada com toda a sua corte de fadas. 

    Ergue-se um pólio alto no meio do Carapinhal. A pequena escavação feita à superfície para corrigir o desnivelamento do terreno foi ao encontro de muros e materiais cerâmicos revela que anteriormente haveria no local uma povoação.

    Os mais velhos contemporâneos da minha avó  Nazaré  tinham ouvido dos mais antigos que ,   o Carpinus ‘  era do tempo dos romanos.  

Os meus nove  tios(as) nasceram todos num casal  do  Carapinhal, lugar do Campo, Lourosa. A minha tiaArminda em 1808 e a minha mãe em 1932. A capela de Santa Bárbara do Carapinhal existe desde 1845, substituindo  uma outra que se encontrava em ruinas. O local  hoje è chamado  Campo . 



Locais com o topónimo Carapinhal

Carapinhal em Mirando do Corvo

Carapinhal      Figueiró dos Vinhos

Carapinhal , São Martinho da Cortiça  Arganil.  Esta Quinta era pertença dos meus avoengos Talisca  no principio do seculo XIX  - 

 




domingo, 19 de junho de 2022

Provedores/Provedorias dos Defuntos e Ausentes

 

 Provedores/Provedorias dos Defuntos e Ausentes

  A Provedoria dos Defuntos e Ausentes em Portugal foi  criada em 1588 com a função de arrecadar, administrar e conhecer todas as causas referentes aos bens dos defuntos e ausentes que não deixassem procuradores nomeados em seus testamentos.

 As repartições de Provedoria contavam com provedor, tesoureiro e escrivão. Em Lisboa, existia o cargo de tesoureiro-geral, que deveria tomar as contas das provedorias de todo o Reino e domínios, ficando a Mesa da Consciência e Ordens encarregada da tutela desses órgãos. O cargo de provedor dos Defuntos e Ausentes era uma categoria de administrador. A Provedorias da administração real era constituída por provedores nomeados pelo rei.

  Os provedores, como um todo, acumulavam uma variada gama de atribuições. A tutela dos interesses dos titulares que não estivessem em condições de administrá-los, como os defuntos, ausentes, órfãos, cativos, ou instituições como confrarias, capelas, hospitais, capitães, mestres, pilotos em viagem e os defuntos ordens religiosas. 

Verificavam os livros dos arrendamentos reais ao cuidado dos almoxarifes e recebedores.

         Quanto aos ausentes, cabia ao provedor administrar seus bens e entregá-los a quem os reclamasse, dando apelação e agravo para a justiça ordinária.

          Quanto aos ausentes, cabia ao provedor administrar seus bens e entregá-los a quem os reclamasse, dando apelação e agravo para a justiça ordinária.

 No caso dos órfãos, superintendiam  a administração dos seus bens  assim como os   juízes dos órfãos,  que tinham  jurisdição numa determinada região.   . No que tocava às capelas, hospitais, albergarias e gafarias, supervisionava a sua administração.

         De acordo com o regimento de 1588 , o provedor competia ir à casa da pessoa falecida sem herdeiros para  fazer um  inventário dos bens móveis   com um   tesoureiro e  escrivão.


 Sem me  alongar mais sobre os Provedores dos defuntos,  deixo  os exemplo do Poeta português, Tomás Pinto Brandão (Porto 1664 - 1743)   que teve o ofício de escrivão dos defuntos e ausentes,  que pediu  consentimento régio para  vender o seu  ofício quando  partiu para o Brasil na companhia do poeta e, grande amigo Gregório de Matos.

 Devido à sua irreverência em matéria de religião, foi preso e condenado ao degredo em Angola. Mais tarde casou apaixonado   por uma  sobrinha de uma rainha africana, sem consentimento da sogra, que, veio a contestar  junto do governador.  considerou a sua filha uma vitimado do  exorcismo de  Tomás Pinto Brandão    

 

Foi atraves do prfessor Joel Serrão que em 1976, na vila de Sesimbra,  li um livro de Poesia  de  Tomás Pinto Brandão.