terça-feira, 25 de junho de 2013

O Massacre de 1506 em Lisboa



O Massacre de 1506 ficou como que apagado da memória colectiva, um pedaço de história esquecida que não está nos livros de História, caiu no esquecimento e são poucos os historiadores que lhe fazem referência. O horror e a violência foram descritos e reproduzidos por Damião de Góis, Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Garcia de Resende, Salomon Ibn Verga e Samuel Usque.
     Este episódio, conhecido como o Massacre de Lisboa, acentuou o clima de crescente anti-semitismo em Portugal
     Os cristãos-novos que permaneceram fiéis à sua religião judia, considerados criptojudeus, inventaram todas as formas de esconderem a sua convicção religiosa. Consta-se que chegarão a mudar os hábitos de alimentação; fizeram enchidos de carne de aves para imitar os tradicionais chouriços de carne de porco, proibida aos judeus.
 O rei João III influenciado pela igreja sentiu-se usurpado, e manda instalar a Inquisição em Portugal em 1536, e ao estabelecimento de uma política severa e castigos em relação aos cristãos-novos. Os tribunais do santo ofício fizeram cerca de 1.500 vítimas mortais, que influiu no desaparecimento dos ofícios nas regiões de Trás-os-Montes e Beiras, onde os judeus eram os dinamizadores da produção de têxteis, sedas e lanifícios. 



     Samuel Usque (que escreveu a famosa Consolação às Tribulações de Israel) e a Bíblia de Ferrara, dedicada a Dona Gracia Mendes ou Gracia Nassi,(1) natural de Lisboa, mecenas e protectora dos judeus da Diáspora depois do Decreto de Alhambra, Pedro Nunes (matemático), Abraão Usque (editor e tradutor), Garcia de Orta (médico e naturalista), António José da Silva (dramaturgo), Ribeiro Sanches (médico) e Rodrigues Lobo (poeta) são alguns dos cristãos-novos portugueses com dimensão histórica e cultural nas áreas do pensamento, técnica, artes e letras. Muitos foram perseguidos por isso: Matias Pereira e Pedro Nunes Pereira, netos de Pedro Nunes, foram acusados de judaísmo e presos pela Inquisição em 1623; António José da Silva foi garrotado antes de ser queimado num auto-de-fé em Lisboa em Outubro de 1739; após a morte de Garcia de Orta, as suas ossadas foram descobertas e queimadas numa macabra cerimónia da Inquisição que deitou as cinzas ao mar. A sua irmã Catarina Orta, obrigada a acusar toda a comuna judia de Goa, sobre tortura, e em mau estado, com o corpo mutilado é queimada viva num auto-de-fé em Goa em 1569.

(1)        - Gracia Mendes ou Gracia Nassi, (1510-1569), conhecida também simplesmente como A Senhora, foi uma empresária portuguesa, filantropa, protectora de outros portugueses de religião judaica que como ela fugiram de Portugal no século XVI. Gracia salvou centenas de cristãos-novos e marranos da morte e das perseguições anti-semitas. A sua benevolência para com os outros judeus sefarditas ficou especialmente patente em Antuérpia, para onde foi viver depois de deixar Lisboa. Cidades seguintes na sua fuga às perseguições que lhe foram movidas foram Veneza, Ferrara e finalmente Constantinopla.


Alves Fernandes




segunda-feira, 17 de junho de 2013

O desfecho verdadeiramente trágico do paço de Vila Viçosa

     O desfecho verdadeiramente trágico do paço de Vila Viçosa





     Em 1502, D. Leonor de Mendonça filha do 3º duque de Medina Sidónia. Vem para Lisboa, e segue para Vila Viçosa, onde habitará o castelo com D. Isabel, sua sogra, até o matrimónio poder ser efectivado. Apesar de não se saber ao certo a data dos verdadeiros esponsais de D. Jaime com D. Leonor, pensa-se que os mesmos terão ocorrido por volta de 1504. Mas esta ligação teve um início muito atribulado, o desfecho foi verdadeiramente trágico: depois de acertado o contrato nupcial, o jovem duque é acometido de «fortes ataques de melancolia» e resolve abraçar a vida religiosa.
    D. Jaime sai do país em direcção a Roma, a fim de solicitar ao Papa a anulação do seu matrimónio, para depois poder ingressar no convento do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Deixa uma carta que só deveria ser entregue ao Rei quando o duque já estivesse longe. Contudo, o frade franciscano da piedade, convento de Vila Viçosa, que recebe a missiva, temendo uma possível represália real, resolve levá-la ao monarca dois dias depois. D. Manuel fica furioso. Envia fidalgos da sua confiança no encalço do fugitivo para lhe ordenarem que volte imediatamente.
     «D. Jaime é Chamado à presença do Rei D. Manuel em Évora, e aconselhado a consumar o matrimónio para viver com sua esposa e vir a ter filhos. Que passasse o seu tempo da forma mais divertida, com os carinhos da mulher e na afeição aos filhos.»
     Sem grandes alternativas, D. Jaime, que não gostava de viver na Alcáçova do castelo velho de Vila Viçosa, mandara edificar fora das muralhas da vila, um novo paço no sítio da Horta do Reguengo.



Passaram-se dez anos sem que se notasse entre os conjugues esposos algum facto digno de menção.
 A 2 de Novembro de 1512, D. Jaime, suspeitando que sua mulher mantinha relações amorosas com António Alcoforado, fidalgo de sua Casa, mandou-o prender, “num acesso de ciúme, ordenou ao seu capelão que o fosse confessar, e logo depois da confissão o mandou matar no próprio palácio de Vila Viçosa. “


     A 1512 as intrigas ferviam no paço. Para muitos era óbvio que a jovem duquesa, de 23 anos, deixada ao esquecimento por seu marido D. Jaime de Bragança, viesse a ter inclinação muito especial por António Alcoforado, de 16 anos, pajem de seu filho D. Teodósio., que lhe dava muita atenção. Ela sente-se desejada e arrojada. Trocam-se bilhetes amorosos através de um pequeno escravo. O amor tornou-se imperioso durante duas noites em que António Alcoforado terá entrado pela janela no quarto da duquesa, que na madrugada de 1 de Novembro de 1512, o pajem, António Alcoforado é apanhado a sair.
“Os amantes são descobertos!”
A duquesa, apercebendo-se de um grande ruído com gente de volta do amante, correu muito assustada aos seus aposentos dos seus filhos, para qualquer disfarce, onde já se encontrava D, Jaime sobre a cama muito desvairado.

                                        ( castelo velho - Alcáçova ate 1504)

O fidalgo foi preso. D. Jaime mandou chamar o capelão para a confessar o pajem, que quando saiu da masmorra saiu, conversou com D. Jaime, que voltou para camara da duquesa D Leonor, resolvido a matá-la. Porém D. Leonor, com grande coragem, lhe perguntou de que provinha aquele furor de desconfiança, porque intentava tirar-lhe a vida? O duque respondeu prontamente, que ela lhe fora traidora, que manchara a sua dignidade. Não sou traidora, respondeu altivamente a duquesa. E apresentando varias razões, chegou quase a convence-lo da sua inocência. Mas o duque saiu do quarto e foi-se encontrar com o criado, Pedro Vaz,- quem tinha segurado António quando saía dos aposentos da duquesa, que de novo, influiu no ânimo suspeito contra a honra da duquesa, voltou a encontrar-se com ela, e sem admitir a menor reflexão, apunhalou-a. E de seguida mandou matar o pajem.
Há várias versões, e que testemunham que D. Leonor foi vítima de suspeitas infundadas… criadas pela intriga palaciana. Mas a partir do momento em que o duque a manda matar, a história tem obrigatoriamente de ganhar foros de verdade. É que a lei só nos casos de adultério comprovado permitia a morte dos adúlteros.
O cadáver da desditosa senhora foi sepultado na igreja de N. Sr.ª da Serra de Montes Claros, sendo mais tarde, por ordem de D. Teodósio II, trasladado para o mosteiro da Esperança, em Vila Viçosa.




     A duquesa D. Leonor com 16 anos conhecera António alcoforado quando ele tinha 12 anos, filho de uma antiga dama de D. Isabel, viúva e mãe do duque D. Jaime.
     A duquesa D. Leonor chamava a atenção a todos que diziam coisas atrevidas. Sempre encontrava, António meio homem, com seis palmos de altura, 11 anos de idade, de girândolas esfaimadas, com letras de tal ousado modo que por capricho, por uma reviravolta de fantasia ou por qualquer vago receio de previsão … afastou António Alcoforado de pajem de seu filho Teotónio, - sem que se saiba se chegou a expulsa-lo do paço.
     As inclinações amoráveis  e a senilidade de engenho de galanteador, levou que naquela época os galanteios amorosos alvoraçavam as almas cheias de preconceitos, transformados em histórias de amor a contarem-se de cor, em trovas e cantares, a andarem de boca em boca de toda a gente moça.
E como António Alcoforado dizia: - As palavras em alegorias cismadas por mais que a gente as queira segurar fogem-nos da boca.


Esta historia está resumida porque são 9 paginas.
retirada da biografia de D. Manuel I -  historia do palacio de Vila Viçosa biografia - família Medina Sidónia.




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Prostituição Romana

Prostituição Romana






Prostituição – época romana - Em cada comunidade romana ou aquartelamento militar, havia sempre um bordel.
    Um documento decifrado da “Era do Imperio Romano” assinala que, uma cifra baseada num calculo de dez prostitutas numa povoação de mil pessoas, com uma grande percentagem de mulheres entre os dezasseis e vinte e cinco anos. As mulheres mais jovens podiam assegurar o seu futuro através do matrimónio, pela exploração sexual.
     Cada mulher tinha o direito de levar o tipo de vida que lhe agradasse sem ser digerida. Consideradas mulheres livres.
     As prostitutas eram as mulheres que se encontravam em situação de desespero, muitas pressionadas pelas suas famílias que, viam que o seu corpo robusto de beleza fosse a forma de serem sustentados.
     Os bordéis eram lugares organizados para a prática da prostituição, reconhecido pelo centurião da localidade, a quem pagavam impostos para exercerem a profissão. As casas licenciadas para o acto eram as estalagens, tabernas e termas, dirigidas por gente séria, que através das suas camareiras para todo o serviço incluindo o trabalho de prostituição.
     Pompeya foi a capital da prostituição, e a escola da arte erótica que veio a instalar a prostituição em todos as cidades ocupadas por Roma. Pompeya e todas as cidades ocupadas pelas legiões romanas na Europa tinham as suas termas com prostitutas para todos os serviços, massagens e actos sexuais, e orgias onde se banhavam todos juntos.
A prostituição estava em todas as povoações romanas da Península Ibérica, como descrevem alguns documentos.
Sendo um hábito levamos a crer que em território lusitano haveria alguns prostíbulos em estalagens e termas, lugares mais relaxantes, como as de S. Pedro do Sul e outras que remontam dos tempos da permanência romana, e se encontram índices da presença romana, com caminhos por si feitos regulados pelo sol e traçados em mapas. Caminhos de solo compacto, ainda hoje com traços dos rodados dos carros que cortaram a vegetação.





Num documento Egipto pude ler:  - as mulheres escravas , filhas de escravos do Egipto eram obrigadas a exercer a prostituição. Os seus senhores, romanos, estabeleciam clausulas e contactos com todos os clientes que as adquiriam para este fim.
Uma boa escrava custava trezentas dracmas, e faziam em média de mil e quinhentos dracmas por dia.
Quanto a alguma gravidez por parte dessas mulheres viesse acontecer, era autorizado a presença do filho com a mãe durante o tempo de amamentação, depois o filho era abandonado longe, fora da sua povoação, num lugar restrito para aumentar a sua população.

Este ponto de vista veio a ser usado pelo governo Franquista espanhol, que durante e após da guerra civil usou o mesmo termo. «Filhos de ninguém» que faziam crescer as populações no interior das aldeias, vilas e pequenas cidades destruídas, eram abandonados às portas das famílias que tinham perdido os seus filhos na guerra civil, para que viessem a fazer crescer as populações nacionalistas.   

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Diogo Alves


À história da freguesia de Campolide está em particular a história do Aqueduto das águas livres de Lisboa  também associado aos crimes do galego Diogo Alves, quando em 1839, aparece o primeiro cadáver esmigalhado sobre pedras da ribeira  de Alcântara.. Que se registaram até Junho desse ano 76 mortos.

A acusação caiu sobre Diogo Alves e sua quadrilha que operaram em vários locais da periferia de Lisboa  que roubavam pessoas que atravessavam a extensão dos Arcos do aqueduto, pondo em causa, que depois de roubarem atiravam as vitimas  de seguida do aqueduto, com 65 metros


de altura para as silenciar, mas  sem que tivesse havido qualquer testemunho visto.
Pensou-se que se tratava de suicídios, e quem afirma-se de que eram transportadas para ali mortas de outros locais, mas a grande quantidade de vítimas cada vez eram mais.   


 A fama dos de Diogo Alves a Em 1840, O povo, apavorado, atribuiu-lhe os crimes, e quando foi preso por assassinato de uma família senhorial na actual zona de Benfica, que cuja casa assaltara, instigado pela sua companheira taberneira Gertrudes Maria, de alcunha "a Parreirinha". cujo estabelecimento se situava na zona de Palhavã - perto de Sete Rios.
Foi por fim apanhado pelas autoridades em 1840, e sentenciado à forca em 1841, sem que nada consta-se dos assassinatos sobre os crimes do aqueduto entre 1836 a 1839, daí Norberto de Araújo, em “Peregrinações de Lisboa”, recuse estes actos como explicação do encerramento do aqueduto, dizendo que estes são mais “fantasia que realidade”.

Depois do enforcamento de Diogo Alves os cientistas ficaram intrigados com o homicida, na tentativa de compreender a origem da sua perfídia, deceparam e estudaram a cabeça de Diogo Alves na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Após o enforcamento do a sua cabeça de foi envolvida em formol num frasco para estudo, e que esta hoje exposta no Teatro Anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na sequência da formação de um gabinete de frenologia por José Lourenço da Luz Gomes.

Diogo Alves, espanhol nascido em Santa Gertrudes, bispado de Lugo. Veio viver para Lisboa ainda novo, tendo ficado conhecido como o assassino do Aqueduto das Águas Livres 1836 a 1839. Apos da sua morte, em 1844. Fechou-se a passagem sobre os arcos, mas Os mortos continuavam a aparecer. A gente de Benfica Reclamaram que se sentiam prejudicadas por não usarem aquele acesso à cidade, e A Câmara voltou a abrir o Passeio dos Arcos, que novamente encerraram a 12 de Agosto de 1852 pelo grande número de vítimas que ali acontecia. Diogo Alves, “ O Pancada", veio muito novo para Lisboa, onde serviu em algumas casas mais abastadas da época,
Esta história aparece contada num romance policial e aventuras de Leite Bastos (1841-1886) -, que entre outras histórias, aproveitou Diogo Alves para criar uma narrativa chocante de violência, terrível facínora que, na década de 1830, disse que atormentou Lisboa com a sua arrepiante crueldade.
  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Frei Fernão de Oliveira ( 1507 – 1581)


Frei Fernão de Oliveira
     A EXPULSÃO DOS JUDEUS


Fernão de Oliveira (Aveiro, 1507 – 1581), algumas vezes dito Fernando de Oliveira, frade, gramático, construtor bélico-naval renascentista, foi um dos expoentes renascentistas  

Foi ordenado frade dominicano. Em virtude de suas posições heterodoxas, logo caiu no desagrado do Tribunal da Santa Inquisição, tendo sido preso várias vezes por determinação daquele tribunal. Com efeito, consta que, em 26 de outubro de 1555, entre tantas outras prisões, "[...] Deu entrada nas masmorras da Inquisição, em Lisboa, o insigne aveirense Padre Fernão de Oliveira, clérigo dominicano e diplomata, escritor e filólogo, marinheiro e soldado, aventureiro e perseguido, «o primeiro gramático da língua portuguesa e porventura o primeiro tratadista naval de todo o mundo» [...]"(Rangel de Quadros, Aveirenses Notáveis, I, fl. 9).
Intelectual amplo, publicou a reputada primeira gramática portuguesa, a conhecida Grammatica da lingoagem portuguesa, editada em Lisboa, em 1536, e que tem no frontispício o brasão de armas dos Almadas por ele a ter dedicado a D. Fernando de Almada.
Trabalhou ainda em um variado conjunto de atividades, sobressaindo a de piloto. Foi ainda teórico da guerra e da construção naval. Precisamente nestas duas áreas — arte bélica e construção naval — destacou-se sobremaneira.
As suas contribuições aí, com efeito, deram as bases da hegemonia portuguesa em diversos oceanos no século XVI.
Em "Na arte da guerra do mar" (Coimbra, 1555), além do texto teórico, tece considerações morais condenatórias sobre a escravidão, o comércio de escravos e sobre a invenção e utilização de armas de fogo, devido à sua capacidade de destruir vidas humanas.
A "Ars nautica" (1570 [?]) é o primeiro tratado enciclopédico mundial de matérias referentes à navegação, guerra naval e construção de embarcações. O último tema foi substancialmente desenvolvido na obra seguinte, "Livro da fábrica das naus" (1580 [?]), em que fornece regras teóricas para a construção de navios e sublinha, sempre em diálogo com os autores clássicos, nomeadamente Plínio, as significativas contribuições lusitanas para o progresso nos métodos de construção naval.
Pouco antes de falecer, em (1580), defendeu António I de Portugal, Prior do Crato, contra Filipe II, com duas obras historiográficas a sustentarem a legitimidade do candidato português e contestarem a solução da Monarquia Dual, aprovada nas Cortes de Tomar (1581).
Referências

Christóvão Falcão (1512?-1557?) SEM FOTO


Christóvão Falcão (1512?-1557?) - Poeta e diplomata português do século XVI. Por vezes o seu nome é referido como tendo sido Cristóvão Falcão de Sousa ou Cristóvão de Sousa Falcão. O nome próprio aparece por vezes com a grafia arcaica de Christóvão.

        

 Supõe-se que Portalegre, terra da nobilitada família Vaz de Almada e descendente de John Falcon (ou Falconet) seja o local de nascimento de nascimento de Cristóvão Falcão. Descendente de ingleses nobres que se instalaram em Portugal em 1386 com o casamento da filha do 1º Duque de Lencastre, Filipa de Lencastre, com o rei D. João I.
 Cristóvão Falcão filho de João Vaz de Almada (Sousa Falcão), casado com Brites Godinho. Foi educado a partir dos 9 anos no Paço Real, em Lisboa, onde estudou Belas-Artes. Foi discípulo e amigo dos grandes poetas quinhentistas portugueses Bernardim Ribeiro e Francisco de Sá de Miranda, que com eles se inspirou e escreveu poesia.

Segundo a edição de 1911 da Encyclopædia Britannica refere que, Cristóvão se teria apaixonado na sua infância por Maria Brandão, uma jovem muito bela, herdeira de grande fortuna, com quem teria chegado a casar secretamente em 1526, mas a oposição dos pais levou a que o casamento fosse anulado. O orgulho familiar levou o pai de Cristóvão a pô-lo em sua casa sob vigilância apertada durante 5 anos, em concordância com o pai da  Maria Brandão,  foi obrigada pelos seus pais a enclausurar-se no Mosteiro do Lorvão, que aí se esforçaram por convencê-la que o pretendente estaria mais interessado na sua fortuna do que na sua pessoa. Depois pelos mesmos, veio a insistência dos argumentos de vir a ter um bom casamento. Acabaram por convencer Maria Brandão a sair do mosteiro para casar em 1534 com Luís de Silva, capitão de Tânger.
Nunca se soube tudo o que levou os interesses dessas famílias em separar os seus filhos, que deixa algum mistério, sabendo-se que ambos pertenciam a grandes famílias da nobreza.

 Cristóvão Falcão, viveu momentos de grandes paixões com outras mulheres, e de uma delas teve um filho com o seu nome, que terá nascido quando seu pai já teria partido de lisboa. Nada mais se conhece da sua vida nesse tempo, a não ser que seu filho viria a ser capitão na ilha da Madeira. Com o seu casamento Maria Brandão, para evitar mais escândalos, a pedido de seu pai a el rei D. João III, este integra-o na embaixada de Roma como agente do estado real português. Cristóvão Falcão, parte sem poder negar, revoltado abandona tudo que tinha em Portugal, a poesia, a família e, enveredou por uma carreira diplomática. Integrou a embaixada portuguesa enviada por D. João III a Roma em 1542 onde estava presente Francisco de Sá de Miranda, e mais tarde a convite deste, este também Bernardim Ribeiro.

      Cristóvão Falcão, regressa a Portugal, a 31 de Março de 1545 é enviado como capitão para a fortaleza de Arguim, na actual Mauritânia, de onde regressaria em 1547 algum tempo depois de cumprir uma condenação num cárcere por agressão ao seu superior nobre fidalgo. Ocultada por algum tempo a sua prisão, só ao fim de cinco anos, com uma carta de perdão obtida em 1551, por influência de um grupo de literatos junto à corte.

    Casa-se uma senhora da baixa nobreza Isabel Caldeira em 1553, sem que tivesse filhos com ela.

     Todo o seu passado construiu uma história, que deu a inspiração ao próprio Cristóvão a escrever uma obra poética pela qual é mais conhecido, Crisfal. Onde o jovem Cristóvão Falcão refere que esteve preso durante 5 anos por ter casado com uma menor. E que logo que saiu da prisão, procurou a sua amada no mosteiro de Lorvão, e que sabendo do seu casamento começa a escrever o Crisfal. Canta a sua paixão arrebatadora. Sendo muito É provável que Crisfal seja um criptónimo de Cristóvão Falcão.
     «Crisfal, Chrisfal ou Trovas de Crisfal, é uma écloga (poema pastoral) com 1015 versos, que fora (publicado por Oliveira Santos e editado por Cohen; vide infra) uma história de dois jovens pastores Maria Brandão e Crisfal, que se amam desde a infância, mas são separados porque os pais da jovem a levam para um lugar distante. «Escrito em harmoniosa redondilha maior, é talvez o mais expressivo exemplo da adaptação da poesia bucólica grega e latina com a sensibilidade portuguesa. Poemas impregnados de saudade, de emoções ternas e puras, glorificadas em versos escritos numa linguagem directa, mas de timbre requintado, onde perpassa uma sensualidade picante e um realismo por vezes atrevido.
 A obra colocou o Cristóvão Falcão numa posição única na literatura portuguesa e teve uma influência considerável em poetas posteriores, nomeadamente Camões.


 OBSERVAÇÃO: 
Até à publicação em 1908 por Delfim de Brito Monteiro Guimarães de "Teófilo Braga e a lenda do Crisfal", ninguém questionava a autoria de Crisfal. Nesta obra defende-se a tese de que Crisfal teria sido escrito por Bernardim Ribeiro, que se teria inspirado na paixão de juventude do seu amigo Cristóvão Falcão. Segundo o mesmo Delfim Guimarães, Cristóvão Falcão não seria sequer poeta. Entre outros argumentos, é argumentado que as publicações do século XVI das obras atribuídas a Cristóvão Falcão são anónimas e que a edição de Ferrara inclui as obras de Bernardim Ribeiro. Esta tese foi contestada ao seu tempo, e foi refutada por estudos mais recentes. Supõem-se que o anonimato terá sido uma opção de Cristóvão Falcão por causa da natureza pessoal do poema e das alusões nele feitas. Além disso, há referências a Cristóvão Falcão como autor do poema em escritos de vários autores antigos, nomeadamente do seu contemporâneo Diogo de Couto



João de Barros (1496 -1570)

 
João de Barros (1496 -1570)

     Dom João III em 1521, concede a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina, para onde partiu no ano seguinte. Em 1525 foi nomeado tesoureiro da Casa da Índia, missão que desempenhou até 1528.
     A peste negra de 1530 levou-o a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, vila onde concluiu o seu diálogo moral, Rhopicapneuma, alegoria que mereceu louvores do catalão Juan Luís Vives.

Regressado a Lisboa em 1532, o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina - uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um empório, a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente. João de Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo, enquanto os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas.

Casou com Maria de Almeida em 1532, de quem teve cinco filhos e três filhas.

Em 1534 Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de penetração francesa, dividiu a colónia em capitanias hereditárias, seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, com resultados comprovados. No ano seguinte João de Barros foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com Aires da Cunha, o Ceará e o Pará. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o Novo Mundo em 1539.
     Considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática da língua portuguesa, tendo escrito e formalizado a língua, tal como falada em seu tempo. Prosseguiu seus estudos durante as horas vagas, durante os anos da desastrosa expedição ao Brasil, publicando em 1540 a Gramática da Língua Portuguesa e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua materna. A Grammatica foi a segunda obra a formatizar a língua portuguesa, tal como falada em seu - sendo entretanto considerada a primeira obra didáctica ilustrada no mundo.
Nunca desconsiderando um pedido de Dom Manuel I, ainda antes de ter falecido, que iniciou uma história a narrar os feitos dos portugueses na Índia, agrupando «vários acontecimentos num livro num período de dez anos. A primeira década saiu em 1552, a segunda em 1553 e a terceira foi impressa em 1563. A quarta década, inacabada, foi completada por João Baptista Lavanha e publicada em Madrid em 1615, muito depois da sua morte. – Como se pode prever historias com pouca credibilidade – contadas e nunca provadas. - As Décadas da Ásia. Assim chamadas! - (Ásia de Ioam de Barros, dos feitos que os Portuguezes fizeram na conquista e descobrimento dos mares e terras do Oriente),
O seu estilo fluente e rico, O autor, com linguagem simples e objectiva, descreve em mínimos detalhes a natureza perversa do ser humano nos grandes países de além-mar. As "Décadas" tiveram pouco interesse durante a sua vida., e só passa a ser mais tarde conhecida apenas uma tradução italiana em Veneza, em 1563.
Como era habitual as escritas dos grandes escritores passarem pelo rei, D. João III, que não sabia o pedido de seu pai, ao ouvir ler entusiasmou-se com o seu conteúdo, e pediu a João de Barros que redigisse uma crónica relativa aos acontecimentos do reinado de D. Manuel I que, ficamos na dúvida se João de Barros declinou devido às suas tarefas na Casa da Índia.
Caso assim seja, sabemos que ele formalizou algumas cronicas sendo a maior parte redigidas pelo grande humanista português, Damião de Góis. Que mais tarde encarregou Diogo do Couto continuar as "Décadas", que lhe adicionou mais nove. A primeira edição completa das 14 décadas surgiu em Lisboa, já no século XVIII (1778 — 1788).
     João de Barros “sofre um acidente vascular cerebral em 1568” e foi exonerado das suas funções na Casa da Índia, recebendo título de fidalguia e uma tença régia do rei D. Sebastião.
     - Como em toda a sua vida demonstrou um grande humanismo, talvez incomum para a época, «pagou as dívidas dos seus amigos marinheiros falecidos que viajaram consigo nas suas expedições». Empobreceu com  o que assumiu, sem se saber porquê , até ao fim da vida, vendo-se obrigado a vender  parte dos seus bens e hipotecar outros. Faleceu na sua quinta de Alitém, em Pombal, a 20 de Outubro de 1570 com 74 anos na mais completa miséria, sendo tantas as suas dívidas que os filhos renunciaram ao seu testamento.
      Logo após da sua morte começam a correr fama das "Décadas" com uma linguística fácil a descrever a história dos portugueses na Ásia, que são o início da historiografia moderna em Portugal e do Mundo.