quarta-feira, 11 de maio de 2022

Dicionário medieval apelativo

 

Dicionário  medieval apelativo


Pão meado – pao de milho e centeio

Abadengo – terras da abadia ou de Abade (exemplo Casal de Abade)

Abadágio – o nome da renda dos arroteamentos do  Abadengo.

Abarga- lugar de pescaria

Abbadin – aldêa

Albarrada- Muro construído com pedras soltas para servir de resguardo; cerca, valado

Abecturio / abgatorio -  Abecedário

Aberregaar-se – amancebar

Acostado-  encostado a alguém,  ou terra encostada a outra. Livro acostamento – moradias ou ordenado a fidalgos

Açougagem – direito de venda que se paga na vila, e não no termo. Gado graúdo 1 real – e gado miúdo  10 ceitis  Sec..XVI.

Agouci – lugar de venda

Adail- oficial militar

Adiantado, regedor da justiça –

Adiceiro - mineiro

Açor (azureus em latim,  Azul em português) –.  ave de rapina, que fora comparada   com falcões no sec. XIV, que na realidade  era uma  subespécie  da águia de asa redonda

 

Documentos medievais

 Livro das Inquirições

Livro do Prebendeiro -Arrematante de prebendas ou das rendas de um bispado.

Livro do rol dos besteiros do conto------ e 1421-1422,

Livro do Rol dos Tabeliães existentes no reino.

 A região de Entre Douro e Minho, era considerada como a mais populosa do Portugal século XIII. A região de Guimarães seria a  mais Populosa.

 

 

 Turris Aquilares (Torre de aguiar). os cavaleiros da ordem do hospital, tinha uma  Sepultura com espada esculpida na campa junto  à torre. Abade que tomou a insígnia de espada(  OBBIT DOMNUS  DOMINICUS ABBAS MCCCL XXXI)-  (1381)

 Terra da Nóbrega - actual concelho de Ponte da Barca

Trampa - nos tempos medievais - Aparelho que servia para torturar os condenados, humilha-los publicamente, e impedir de fugir. - Vocábulo espanhol antigo

Seculo XVI chamou-se Clabozo ou cárcel.  Cepo onde se prendiam os presos – pulsos e cabeça. E se adaptou  á frase  «poner en un brete  que resistiu até á actualidade.

 

António Goncalves. Mattoso

 

 António Gonçalves Mattoso

 


      António Gonçalves Mattoso, nasceu em Vila Cova de Alva, Arganil, em 1895 e faleceu em Lisboa, em 1975. Foi seminarista e veio a Licenciar-se em Direito por Coimbra e, por influência do pedagogo João Soares (pai de Mário Soares) obtivera em Leiria o primeiro emprego, como funcionário do  Banco Nacional Ultramarino, em Leiria.  Nesta cidade casou e teve os seus oito filhos,  cinco rapazes e três raparigas.

         António Goncalves. Mattoso tornou-se professor de história na Escola Industrial de Leiria, e mais tarde historiador. É o primeiro director da Escola Técnica Elementar de Eugénio dos Santos, em Lisboa.

   Tornou-se uma figura de referência da historiografia e do ensino da História como autor de manuais de História para o ensino liceal, durante várias décadas, desde 1938.

         Monárquico convicto e, ao ser aluno Salazar, foi seu admirador. Era irmão de um pároco e sua esposa era sobrinha do bispo da Guarda, José Alves Mattoso, nascido em Coja, (18 de Fevereiro de 1860 -- 1 de Fevereiro de 1952).  Pai do Historiador, José Mattoso (Frei José de Santa Escolástica Mattoso) nasceu em Leiria, em 22 de Janeiro de 1933. Entrou na Ordem dos beneditinos aos 17 anos, passando a viver no mosteiro de Singeverga. Licenciou-se e doutorou-se (1966) em Ciências Históricas na Universidade Católica de Lovaina. Deixou a ordem religiosa em 1968, passou ao estado laical mas nunca perdeu a vocação e o hábito da vida contemplativa. José João da Conceição Gonçalves Mattoso casou-se  e  tem três filhos.

   Cunhado do pintor Lino António da Conceição (Leiria, 26 de Novembro de 1898 — Lisboa, 23 de Outubro de 1974) O meu padrinho de baptismo de Jose Mattoso ,  irmão da sua  mãe, foi um  artista reconhecido.   Faleceu vítima de um acidente vascular, quando se encontrava a trabalhar.

           António Goncalves. Mattoso em 1946, mudou-se a família para a capital passou a trabalhar num projecto de escola experimental ligado ao Ministério da Educação. António Mattoso tornar-se-ia mais tarde bem conhecido por sucessivas gerações de estudantes portugueses, como autor dos três tomos do Compêndio de História Universal, livro único para o 2° ciclo liceal; o compêndio de História de Portugal, que conheceu 11 edições, em 11 anos, entre 1938 e 1949; o Compêndio de História Universal, publicado pela primeira vez também em 1938, foi reeditado 9 vezes, até 1967; a História da Civilização, editada 12 vezes, desde 1938 até 1964. Destacam-se ainda, na sua produção bibliográfica os títulos História de Portugal, Erros de História: resposta a um crítico, Compêndio de Geografia Económica.

      O interesse pelo estudo, pela leitura e pela escrita levaram-no a desenvolver também o gosto pelos livros, comum a todos os homens de cultura, tendo constituído uma biblioteca pessoal de 8500 livros raros e de valor.

 

    Segunda conta o seu filho: -o meu pai admirava Salazar como homem excepcionalmente inteligente e um grande político, mas desagradavam-lhe a sua frieza e o carácter implacável, manifestado nos exames, na maneira como interrogava os alunos. O meu pai ficou-lhe com um certo medo; de vez em quando sonhava com Salazar, e isso para ele era um pesadelo.

 

 

 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Cemitérios

 

Cemitérios medievais

 


     Os primeiros cemitérios medievais situavam-se nos montes, conhecidos como localização tranquila para o enterro de um túmulos de rei ou de cavaleiro. 

Geralmente o anglo-saxónica era enterrado com um manto, itens pessoais de joalharia ou ornamentos cristãos como cruzes.

     À medida que a religião católica se consolidou pela Europa, os túmulos em montes saíram de moda e os locais de descanso reais migraram para cemitérios ou túmulos junto ou dentro de igrejas e catedrais. Os bens mortuários deixaram de ser sepultados com o seu proprietário.

      Os enterros de gente com estatuto inferior até ao  seculo XV: eram fora da igreja. os  corpos envoltos em sudários eram depositados directamente na terra sem qualquer estrutura funerária associada.

 

São referidos crânios e esqueletos  diante   dos altares, lugar privilegiado dos ministros de Deus sepultados com  uma concha na boca –  os  monges com concha de vieira na boca pertencentes   aos mosteiros  de    Santiago de  Compostela.  

      Os enterro com uma moeda na boca, havendo fontes literárias gregas e latinas moeda na boca debaixo da língua.” – Remonta à Grécia e Roma antigas. Era um pagamento para Caronte  (óbolo de Caronte" utilizada pelos arqueólogos) o barqueiro que transportava almas através do rio que dividia os mundos dos vivos e dos mortos. De acordo com os arqueólogos, são encontrados sepultamentos de alguns adultos e num grande número de crianças do século XVI com uma moeda de pouco valor, oferecida como esmola.

Exemplos: sarilhos grandes; localidade de Jeżowe, na Polônia.

 Segundo algumas lendas e tradição oral, o cemitério infantil era um local separado, mas não há nada comprovado (escrito) nas paroquias .



Enterros em igrejas

      A ignorância dos ricos homens considerados mecenatos das igrejas, quer tudo faziam para decorar os templos, tendo contrapartida de instalar os jazigos da família dentro e fora da igreja, estando convencidos de que estavam perto de Deus.

      Enterros em igrejas foram prática comum até meados do século XIX, excepto os suicidas, sem o direito pela prática da sua morte não estar de acordo com os princípios da religião. Os cemitérios, chamados «campos santos» situavam-se no meio das cidades ou das vilas, normalmente ao lado ou atrás das igrejas sem qualquer muro a resguardar do perímetro habitacional que se acercava das sepulturas do exterior.  

     Os sepultamentos no interior, considerados locais sagrados estavam reservados aos nobres católicos, os mais prestigiados, lendo-se nos vários assentos de óbito o lugar: campa brasonada abaixo do altar era de pessoas de maior intimidade com a fé. Pessoas com algum destaque como um benfeitor, dono de um morgado ou um padre.

 

As minhas consultas aos livros de óbitos levaram-me a conhecer expressões do seculo XIX:

      «Sepultada em "cova própria" dentro da igreja, pedra junto à pia baptismal; sepultado em "cova própria" dentro da igreja, pedra diante da porta de entrada;  – e assim sucessivamente : - sepultado na capela,” cova da fábrica", junto ao altar.»

     A menção do local, sendo alguns em cova "própria" e outros em "cova da fábrica", concluo que a primeira tivesse sido adquirida para ali ficar para sempre, e segunda fosse provisoria para uma futura transladação.

Também existe a expressão: -« por já não haver mais lugar dentro da Igreja , cova própria situa-se no Adro   

E um documento assinalava: lápide de pedra, por não haver já memória da sua pertença.

      Possivelmente o valor a pagar era mais caro dentro do que fora, levantando-se então aqui a hipótese de o local do enterramento não ter só a ver com a distinção da pessoa, mas também a ver com disponibilidade financeira.

 Conforme rezam os assentos de óbito. As epidemias que varreram o país entre 1833 e 1855 reforçaram de modo contundente, a imperiosidade da medida e acabaram por condicionar o nascimento dos cemitérios fora dos espaços da igreja. A 21 de Setembro de 1835, foi publicado o decreto, assinado por Rodrigo da Fonseca, que determinava a criação de cemitérios públicos em todas as povoações. E, em 28 de Setembro de 1844 foi publicado o decreto que proibia os enterramentos no interior das igrejas.

     A guerra civil tinha acabado há apenas dez anos, nem todas as feridas estavam saradas e outras novas tinham sido abertas pelas políticas cabralistas.

 O local de construção dos cemitérios continuou a ser objecto de debate no séc. XIX, dada a concentração populacional nas cidades. Em Lisboa, foi elaborado um parecer por uma comissão nomeada em 1878 para indicar a melhor forma de extinguir as valas (Ferreira, 1880), no qual se sugere a cremação como forma eficiente de resposta à escassez de terrenos nos limites da cidade. serão, muito provavelmente, encontradas sepulturas em recintos públicos ou privados.

                         Interdição dos enterros junto às igrejas   

 Decretada a interdição dos enterros junto às igrejas por higiene publica ofendeu os sentimentos religiosos da população, que acreditava a que o repouso dos mortos deveria ser perto dos santos, foi quanto bastou para eclodir uma Saturados de tantas injustiças uma faísca fez eclodir um barril de pólvora, assim que, a forte oposição popular à proibição dos enterramentos nas igrejas foi a causa imediata da Revolta dos velhos guerrilheiros absolutistas, conhecida pela guerrilha de «Maria da Fonte,» que, por sua vez, está na origem directa de mais uma guerra civil, «A Patuleia,» que assolou Portugal entre 1846 e 1847 e só terminou após intervenção militar inglesa e espanhola.

 Os desprestigiados eram comumente enterrados em valas colectivas, não tinham direito à sepultura eclesiástica, sem nenhuma assistência religiosa. nem todos  eram merecedores da alma eterna.

Lugar privilegiado para os sacerdotes e ministros da Ordem, debaixo do altar-mor, para quem muito pagou 

 As sepulturas eram cavadas com seis palmos de profundidade.  Para ajudar o processo de decomposição, cobriam-se os cadáveres com cal. Em seguida, jogava-se terra sobre

 Pobres tinham direito a serem soterrados nas igrejas, apenas com a diferença de se verem arredados para lugares incógnitos e sem direito a lápides sepulcrais.

 

                                     Os suicídios

Na verdade ninguém sabe o que vai na alma dos que premiam o gatilho do suicídio.

 Dona Francisca Colaça mulher que de Joaquim Cabreiro, não recebeo sacramento algum por se achar afogada em huma  lagoa do dito lugar    onde  vivia  como boa cristam e temente a Deos .

 “Perpetua Alves viuva de Joaquim Coelho de Everdal, moradores que erão na ditta Aldea da Varzea.  Esta, “fez testamento no Livro das Notas desta Villa  com testamenteiro parente Joaquim Alves, co mesmo apelido da testadora   

Costume antigo de enterrar vários corpos na mesma campa, dentro das igrejas, não se sabe, ao certo, a quem pertencem os ossos que hoje repousam nesses túmulos.

                                              A ascensão do cristianismo

      o século XVII, e durante o século seguinte, apesar de haver evidências do uso de caixões (pregos de ferro), a maior parte dos enterramentos terá sido feita directamente no solo ou, eventualmente, com sudário.

 A administração dos Reais Hospitais Militares estava entregue aos Hospitaleiros de S. João de Deus, que também recebiam outros doentes. 

A responsabilidade do tratamento de amortalhar o defunto e abrir a cova dos mortos recai sobre o casal de hospitaleiros, ou chamada hospitaleira que teriam trabalhadores civis geridos pela  ordem religiosa. 

 Alfinetes no sudário representam uma ritualização da forma de tratamento do morto, uma normalização. Este ato íntimo seria perpetuado pelos hospitaleiros de São João  de Deus, podendo conter rituais como a lavagem do corpo e rezas

 O planeamento das necrópoles de Época Moderna mostrava uma preocupação sociais, culturais e religiosas, tornando-se um problema de saúde pública devido ao número de corpos depositados em espaços pequeno, e em tão curto espaço de tempo a comprometer o tempo normal da decomposição do corpo.

Um relatório de maio de 1694, no pico de uma crise epidémica, da autoria do Comendador-Mor da Saúde, Domingos Nogueira de Araújo, descreve que as doenças no Castelo estavam provavelmente relacionadas com os corpos, já à superfície

 A ideia de instalar os cemitérios públicos longe dos locais de habitação tinha já sido defendida entre nós por Pina Manique, em 1787 mas recebera pouco eco junto das populações, tendo sido instituída unicamente em 1844, aquando da publicação da Reforma da Saúde Pública.

José Alves Mattoso- Bispo da Guarda

 

José Alves Mattoso

 

 


 José Alves Mattoso 18 de Fevereiro de 1860 em Coja, e faleceu a 1 de Fevereiro de 1952 na Guarda era tio-avô do historiador José Mattoso. 22 de Janeiro de 1933) Frei José de Santa Escolástica Mattoso,  da Ordem de São Bento, vivendo na Abadia de Singeverga  e na Faculdade de Letras da Universidade Católica  em Lovaina,  Bélgica.  Regressou em 1970 à vida laica, quando inicia a sua carreira académica.

José Mattoso , filho  do professor liceal de História, António Goncalves Mattoso , nascido em  Vila Cova de Alva, Arganil 1895 e falecido   em Lisboa, em 1975.

Foi  o  primeiro director da Escola Técnica Elementar de Eugénio dos Santos, em Lisboa, e  autor de manuais de História para o ensino liceal, desde 1938.  O   historiador e professor  António Goncalves Mattoso, transmitiu o interesse da historia   ao filho José Mattoso.  

 

Bispo da Guarda, José Alves Mattoso 18 de Fevereiro de 1860 em Coja, e faleceu a 1 de Fevereiro de 1952 na Guarda era tio-avô do historiador José Mattoso. 22 de Janeiro de 1933) Frei José de Santa Escolástica Mattoso,  da Ordem de São Bento, vivendo na Abadia de Singeverga  e na Faculdade de Letras da Universidade Católica  em Lovaina,  Bélgica.  Regressou em 1970 à vida laica, quando inicia a sua carreira académica.

José Mattoso , filho  do professor liceal de História, António Goncalves Mattoso , nascido em  Vila Cova de Alva, Arganil 1895 e falecido   em Lisboa, em 1975.

Foi  o  primeiro director da Escola Técnica Elementar de Eugénio dos Santos, em Lisboa, e  autor de manuais de História para o ensino liceal, desde 1938.  O   historiador e professor  António Goncalves Mattoso, transmitiu o interesse da historia   ao filho José Mattoso. 

Monsanto ou Mons sacer

 

Monsanto ou Mons sacer

 

Monsanto ou Mons sacer (monte sagrado) era um local de culto no período pré-clássico. Do período romano, subsiste a estátua de um sátiro que se encontrava no Convento de S. Domingos de Benfica, hoje depositada no Museu da Cidade. Crê-se que a Quinta da Granja está instalada sobre uma vila romana e que a Estrada das Garridas está sobre um antiga ponte romana. Há ainda notícia da existência de uma ara arrimada a uma das paredes da Quinta do Marquês de Fronteira.

 

Da época muçulmana chegam-nos vários topónimos, como é o caso de Campolide, Carnide, Alfornel e possivelmente Benfica. A palavra BENFICA poderá ser etimologicamente árabe: Oliveira Marques sugere que o termo comprova a presença de colonos das tribos berberes Banu al Faqih ou Banu Gafiqi. De acordo com J. P. Machado o vocábulo Benfica poderá ser composto pelo étimo ben, que significa filho e pelo antropónimo ou alcunha fica, o qual por sua vez poderá derivar do termo masculino fiq, que quer dizer pessoa de elevada estatura e cujo feminino é fiqâ. Mas a origem da palavra Benfica também poderá simplesmente derivar do advérbio bem e do verbo ficar, expressando o estado físico e psicológico de bem ficar ou ficar bem e neste sentido reza a tradição que a origem da palavra poderá advir do seguinte:

 

- Numa versão, conta-se que uma jovem pura foi raptada por um patife, que acabou por casar com ela ficando a viver nesta zona. O rei D. Pedro I tendo conhecimento do ocorrido, quando passou pela zona mandou prender e matar o marido da jovem, para punir o rapto, mas segundo parecia a jovem vivia em paz e feliz com o marido, vendo-se agora desprotegida e viúva, então o rei para minorar a situação, deu à jovem outro marido «com fartos cabedais» afirmando que «agora bem-fica, bem-fica» ;

- noutra versão, atribui-se o nome ao rei D. João I, que após ter oferecido a sua quinta de São Domingos à ordem dominicana para instalarem um convento, comentara com D. João das Regras «Aqui Bem-fica o convento».

 

No século XIII, o «limite antigo de Benfica» fazia parte para fins paroquiais à Igreja de São Salvador de Lisboa. Após a construção do Paço Real de Benfica, no reinado de D. Dinis, em torno do paço desenvolveu-se um núcleo populacional, que passou a designar-se, cerca de 1322, Benfica-a-Nova em oposição a Benfica-a-Antiga, isto é, ao antigo núcleo existente no lugar da Igreja de Santa Maria de Benfica. Desconhece-se, ainda, a data da fundação da freguesia de Santa Maria de Benfica, mas deverá ter procedência na época da Reconquista. A referência mais antiga a Santa Maria de Benfica data de 1337(Testamento de D. Maria de Aboim). Em 1392, já se encontra referência a Nossa Senhora da Amparo, tornando-se esta igreja, sede da Freguesia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica. Sobreviveram, deste período, umas poucas estrelas discoidais (cabeceiras de sepultura), que foram integradas na decoração de uma moradia próxima do actual santuário. A antiga igreja perdurou até ao século XIX, tendo sido inaugurada a nova igreja no dia 10 de Dezembro de 1809. Neste local onde foi edificada a Igreja de Nossa Senhora do Amparo existiram anteriormente duas igrejas: a de Santa Maria precedente da N.ª Sra. do Amparo, no Tojal e a capela de São Roque, que terá sido incorporada na citada capela no século XIV. A velha igreja, em 1815, transforma-se em capela do cemitério do adro e em 1833 são-lhe retirados os azulejos da capela-mor, sendo definitivamente destruída em 1846, para ampliar o cemitério do adro.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

O mosteiro de Midões foi ficção ou realidade ?


 

  O mosteiro de Midões foi ficção ou realidade ?

surge uma referência ao Mosteiro de Speraindeo no  coutamento de Midonis  em  1133 promovido por D. Afonso Henriques em favor do Mosteiro de Lorvão.

     É muito provável que nesse época  tivessem existido um mosteiro no termo de Midões.   Admite-se, como crível, a existência de um mosteiro no lugar do Esporão,  (arrabalde da Vila de Speraindeo)O mosteiro de Midões foi ficção ou realidade?

  surge uma referência ao Mosteiro de Speraindeo no  coutamento de Midonis  em  1133 promovido por D. Afonso Henriques em favor do Mosteiro de Lorvão,     É muito provável que nesse época  tivessem existido um mosteiro no termo de Midões.   Admite-se, como crível, a existência de um mosteiro no lugar  de Speraindeo( arrabalde do Esporão).

Agiologio Lusitano, designa, a proximidade do lugar do Couto e da Serra da Estrela, «a existência do convento de Midões, com a invocação de Nossa Senhora do Couto, fundado em 1539, por Maria Borges, moradora na Rua Nova de Lisboa.»

     No meu entender «O que se escreve,  sobre o convento de Midões assenta numa forte tradição oral de uma comunidade que habita o local e, nele reconstituíram um lugar de grande importância. Camilo Castelo Branco descreve a eventual existência de um cenóbio do «Santo de Midões», integrado a colectânea Quatro horas inocentes (Lisboa, 1872).     As visões místicas do capelão António da Fonseca, no ano de 1648, de cuja inspiração resultou a fundação da congregação feminina, em número de 13 freiras. O romance caracteriza o processo de selecção das Religiosas por noviças, escolhidos entre anata da fidalguia da região (Midões, Tábua e Bobadela),denunciando o comportamento desviante do fundador da congregação.

      Uma das religiosas, é identificada pelo nome de D. Helena Pereira, filha de Gonçalo Pereira de Midões, a denunciar as gravidezes das monjas como não sendo obra divina.         Camilo Castelo Branco refere o padre António da Fonseca como sendo o capelão fundador e principal responsável pela extinção do mosteiro de Midões.» Relata Camilo Castelo Branco com fina ironia: «o Santo de Midões». É Julgado pelo Santo Ofício de Coimbra!

        A santa inquisição ouviu Santo António de Midões e admoestou-o três vezes para confessar tudo (...) Por final, os juízes condena o padre António apagar as custas do processo. Não poder confessar, a não dizer missa, a não trabalhar, a não sair de casa, a comer, beber, dormir, e vestir à sua custa.  - só podeserirónivo!

Na ausência de certezas sobre a história do mosteiro de Midões torna-se extremamente difícil relaciona-lo com o que vem mencionado no testamento medieval de D. Muna ao Mosteiro de Lorvão, no ano de 951-955.

       O escritor Camilo Castelo Branco diz que teve acesso à  copia da sentença  da condenação do clérigo de Midões em  1809,  e recolhido a  opinião impressa.  Porém, se levarmos o romance em consideração, e  a tradição local,  temos que admitir  a existência de uma casa de recolhimento   em Midões, extinta nos finais do séc. XVII. Desconhecendo-se qualquer referência da existência de qualquer mosteiro ou regra monástica. Podemos admitir a fundação de uma casa de recolhimento pela  Maria Borges, moradora na Rua Nova de Lisboa,» que não necessitava de provisão régia e episcopal, com D. Helena Pereira, filha de filha de Gonçalo Pereira de Midões na sua administração.  

 O mosteiro de Midões foi ficção ou realidade ?

O enigma do mosteiro de Midões éO enigma do mosteiro de Midões é complementado com um romance. 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Bênção dos Animais

O dia de Santo -  Bênção dos animais. Todos os animais eram responsados diante do patrono dos animais para que não pateassem de febre engordassem facilmente.  


                                  A bênção dos animais era festa rija

 

 

      Segundo a Lenda, a bênção do gado tem origem da alta idade média, realizada no dia de Santo Antão, associada à bênção do porco por um grupo de lavradores do Motte-Saint-Didier.  No ícone do santo Antão eremita, aparece um porquinho com um sino, objecto que era amarrado aos porcos em toda a região envolvente do Motte-Saint-Didier, para facilitar sua localização.

     A devoção do povo, acabou por  estender o mesmo patrono a todos   os outros animais; Santo Antão padroeiro dos criadores de gado e, protector dos animais domésticos e esquinos          (Equus ferus) , cuja memória  celebra-se a 17 de Janeiro.

A igreja cristã Ocidental redimiu a crença antiga de Santo Antão e assinala uma outa segunda data opcional :  o dia 4 de Outubro -  Dia de São Francisco de Assis.

                                          As minhas investigações etnográficas

        Festa da Bênção do Gado, cuja origem se perdeu, assim como a memória dos tempos desses a tradição rural, retoma ao fim de muitos anos a revelar as raízes ancestrais  identificadoras  das vilas que ressuscitaram a sua historia. 

As festas foram  perdendo a sua regularidade por volta de    1930. Outras realizaram-se apenas em anos de excepção, ou quando o pároco  entendia ser oportuno a sua realização, acabando por as  realizar de 4 em 4 anos.

      Muitas das festas suspensas viriam a coincidir com a inauguração da luz eléctrica; a inauguração da Casa do Povo com um figurino renovado. A Bênção do Gado passou a integrar um dos  dias   processionais.

 

      A minha avó dizia: Os paroquianos queixavam-se ao padre que o seu gado andava minguado e sem amparo.

 «O dia de Santo Antão é dia de Bênção dos animais. Todos os animais eram responsados diante do patrono dos animais para que não pateassem de febre engordassem facilmente. 

     O cortejo é feito igualmente com passagem junto à igreja. Nesse dia era motivo de muita alegria e de festa rija para os proprietários do gado. O sino da igreja tocavam, e os sinetes das vacas e bezerros alegórica no outeiro cheio de rezes a receberem aspersão de água benta acompanhados dos seus tutores. – dizia o meu tio Adelino Alves Pinto (1929- 2009?)! 

       A minha mãe nascida em 1932 descreve: a bênção do gado no outeiro (antigo mercado). A etnografia teria mudado de local pela grande quantidade de gado para local com mais condições de salubridade.    


                            Bençao do Gado em Sao Mamede   

       Todos os anos, em Agosto, celebra-se a Bênção do Gado nas Festas de São Mamede concelho de Sintra) . Nesta bênção existe a tradição das fitas coloridas abençoadas protectoras, usadas pelos donos dos animais ao pescoço. Actualmente são abençoados cavalos, vacas, galinhas ou coelhos. Os animais entravam na capela, tal como outrora em certos santuários pagãos de Diana. Francisco de Holanda era  um entusiasta pela cenografia  romana.